Trago 10 verdades sobre os 40

Eu sou uma pessoa um tanto atrasada. Óbvio que eu não tô falando de mente atrasada, ou daquela pessoa que é um atraso na vida dos outros… claro que não, crêemdeuspai. Eu sou bem pra frentex, como diria alguém que viveu numa década que ficou lá atrás mas que era bem pra frentex (ãh??). O que quero dizer é que eu sou uma pessoa atrasada no sentido pontual da coisa mermo. De viver no atraso, na tensão do relógio, na expectativa do “vou chegar na hora ou não, senhor me ajuda” ou como eu gosto de dizer, sou uma pessoa com um tempo próprio. Além disso, sou uma procrastinadora profissional, o que torna a tarefa de ser eu mesma muito, mas muito mais difícil.

É por isso tudo que eu estou escrevendo, somente agora, quase quatro meses depois do meu aniversário, sobre os meus tão temidos e depois tão desejados 40 anos.

Sim, andei “quarentando” esse ano e até agora eu ainda estou no processo de digestão do assunto, saca? Tô ainda tentando entender essa parada de ser tão madura pra umas coisas e tão criança pra outras. Tô ainda tentando entender se dá pra ser responsável e louca ao mesmo tempo. Se dá pra tomar um porre num dia com uma amiga e no outro dia combinar um “chá das 5” com outra, indo dos 08 ao 80 na velocidade da luz.

E quase quatro meses depois eu trago verdades e dez conclusões sobre os falados, difamados, safados, tão amados quarenta anos. Vumbora!

1. A gente finge que não cria mais tanta expectativa, que já passou dessa fase, mas é tudo mentira.

Bicho, todo mundo espera alguma coisa de um sábado à noite (oi Tony Garrido, seu lindo, meu Orfeu, meu crush platônico da adolescência). Todo mundo espera alguma coisa de uma sexta à noite, de um domingo de manhã. Todo mundo, sem exceção, espera alguma coisa do dia do seu aniversário.

Eu fiz o tipo blasé e passei a meia-noite num momento muito maduro, tomando um vinho, comendo um chocolate, agradecendo por tudo, repensando a vida de forma bem introspectiva, desfrutando da minha melhor companhia. Mas no fundo (nem precisa ser tão fundo assim) eu queria mermo era uma festa surpresa, milhões de mensagens, muitos presentes, declarações de amor públicas, fogos de artifício, uma estátua de bronze em minha homenagem e uma rua com meu nome. Sou dessas pessoas simples, que se contenta com pouco, sabe?

É um paradoxo da porra isso aê. Você sabe que não pode criar expectativa mas depois dos quarenta o seu nível de exigência aumenta. É uma droga. Ou seja, tu não tem que esperar nada, mas tu tem que exigir o melhor. Bicho, essa conta não fecha.

Óbvio que não rolou quase nada disso. Mas o chocolate estava ótimo. E o vinho também.

2. A gente já sabe que guardar mágoa dá câncer, mas a gente guarda pelo menos um pouquinho, só pra jogar na cara.

Para ilustrar este tópico vamos responder a uma pesquisa de satisfação, coisa que ultimamente tenho feito muito (outro paradoxo, porque eu achei que não tinha mais que dar satisfação de nada nessa vida):

A senhora considera que foi criada uma expectativa em torno dos seus 40 anos?

Sim.

A senhora considera que a sua expectativa foi atendida de forma satisfatória?

Não.

De 0 a 5, o quanto a senhora está satisfeita com a celebração do seu aniversário?

Pelos amigos e familiares, eu diria que 5. Pelo parceiro, no máximo um 2.

Resumo da história: “maridón” deixou a desejar – não sexualmente falando, gentchy, deste mal não sofremos (#deusabençoe). Mas, bichooooo, parece que não me conhece há quase 20 anos… caracaaa!!! Houve perdão? Sim.

Restou mágoa? Opa! Fiquei com um ranço que não passou até hoje (logo se vê, não é meisxxxmo???)

E como a gente lida com isso? A gente guarda essa frustração pra despejar na hora certa junto com aqueles outros ranços acumulados nos últimos dois anos, de uma forma suave feito a Bomba de Hiroshima. Veja bem, quando eu tinha 39, eu achava esse tipo de atitude uma grande imaturidade, mas agora com 40, considero uma ótima estratégia, miagente. É tudo uma questão de perspectiva. Muda a idade, muda a visão.

3. Cabelos caem. Pêlos brotam.

É com muita verdade que venho dizer que posso viver sem rímel, talvez eu possa viver até sem vinho, mas não tenho mais a menor condição de viver sem pinça. Como pode, gentchy? Pêlos estranhos brotam DO NADA em lugares nunca dantes navegados. O meu DNA português ajuda, eu sei, mas tá errado isso, né não? Alguém compartilha essa dor comigo?

4. A gente tenta enganar os outros pra tentar enganar a si mesmo.

Até os 39 eu passava um protetor solar um dia, um hidratante no outro, um creme com ácido uma vez na vida. Virou 40 e a gente se vê na obrigação de passar umas três coisas na cara, todo dia, duas vezes loucamente.

Isso quer dizer que eu não aceito envelhecer? Não. Isso quer dizer que eu sou super cuidadosa com meu corpo que é meu templo e blá-blá-blá? Também não. Isso quer dizer somente que a gente quer que as pessoas olhem pra gente e falem: “40??? Jura? Nem parece de jeito nenhum.”

Por quê? Porque é legal, porra!

5. O maior medo de envelhecer é o preço do plano de saúde.

Nenhuma mudança de 39 para 40 é mais tangível que isso, meus amigos. Quando você faz quarenta, a operadora te manda um daqueles cartões-surpresa que quando você abre salta um bolo em 3D. Só que no bolo tá escrito: SE FODEU!

E se você mora nos Estados Unidos como eu, onde uma ida básica ao PS pra dizerem que você tem uma virose te custa 3 mil dólares, o cartão vem melhorado, com um bolo escrito em letras gigantescas: YOU’RE FUCKED AS HELL.

É a treva, meu povo.

6. Você está autorizado a pensar como uma adolescente, mas não está autorizado a falar como uma.

Eu tenho um espírito adolescente dentro de mim. Uma idade mental de 17 anos, pode crer.

Um exemplo disso: na minha festa, ganhei de presente de uma amiga americana um envelope com dinheiro (como não amar os americanos???). E o “quiqui” foi que eu fiz com esse dinheiro??? Guardei? Paguei contas? Comprei roupas? Não. Não. E não. Comprei um ingresso para o show do Jonas Brothers em Atlantic City. Uhuhuuu! E lá vou eu, sozinha, gritar com as outras adolescentes, tentar não parecer tia delas, e depois ainda passar no cassino e torrar o resto do dim-dim nos caça-níqueis! É muita maturidade, né não?

Seguindo a mesma linha, outro exemplo: no dia do meu aniversário eu tive uma discussão séria e intensa no carro com três meninas com idades de 8 a 12 anos, sobre como os caras do Jonas Brothers são bonitos. Elas diziam que não achavam o Joe e o Nick bonitos e eu: “What???? Vocês estão loucas! Mais uma palavra e vocês vão descer desse carro agoraaaaa!” Nesse nível. Porque, vamos ser sinceronas, eles podem ter até metade da minha idade, mas eu “fazia”, né, miagente?

O problema é que com 40, às vezes o menino gato de 20 anos, é nada mais nada menos do que filho da sua amiga. Aí não dá pra ser sincerona. Daí você pensa: caraleo, que gato (eu fazia), mas você só pode dizer: “Aiiiiii, que fofo”. E fim.

7. Você definitivamente entende os seus pais.

Você tem duas chances de entender seus pais nessa vida: quando você vira um pai ou quando você fica mais velho. Agora se você, assim como eu, já virou pai e já ficou mais velho, você não só entende mas pede desculpas de joelho por anos de julgamento e falta de compreensão. Façam isso.

8. Você achou que com 40 anos estaria na fase mais consolidada da sua vida, mas descobre que pode ser a fase em que você está mais perdida. .

Veja bem… no meu caso não é que eu esteja perdida, na escuridão, como se tivesse sem Waze e Google Maps no meio do nada. Eu estou sem rumo sim, mas é só porque fiz questão de tacar fogo no meu mapa, dançar loucamente em volta da fogueira e esperar uma carona que me leve pra qualquer lugar legal. Um brinde à perdição.

9. Você achou que era o fim. E na verdade, é um recomeço.

Eu achava brega e mentirosa aquela frase que “a vida começa aos quarenta”, saca? Achava que era uma conversinha que servia de prêmio de consolo pra quem já avançou até o fim e acabou perdendo o jogo. Mas olha só a minha surpresa quando eu percebi que não era bem assim… não é só uma frase, é um sentimento real. Eu fui sentindo isso à medida que o aniversário foi chegando, a minha energia foi aumentando, meu otimismo foi crescendo e a minha vontade de viver “paracaraleo” chegou ao ápice. É como se eu tivesse recebido um convite pra minha própria festa. E festa, meu povo, é comigo mesmo.

A minha euforia era tanta que eu me dei de presente um caderno chamado “Bucket List” (tipo aquele filme mara com o Jack Nicholson e o Morgan Freeman, Antes de Partir”) para poder listar todas as coisas que eu ainda quero fazer nessa vida.

Sem limites. Sem limitações.

Coisas simples como “fazer meu próprio macarrão”, e coisas grandiosas como “ver a aurora boreal”. Coisas longas como “escrever um livro” e curtas como “passar um dia no spa”. Coisas como “tocar uma música no violão” e “cuidar de filhotes de leão”.

E foi então que peguei minha filha numa tarde, sentamos na varanda e listamos mais de sessenta coisas que cada uma gostaria de fazer. Ainda não acabamos! A meta é chegar nos 100! É engraçado ver quais são os desejos dela com dez anos e quais são os meus desejos com quarenta. Ela, por exemplo, sonha em dormir uma noite num museu e morar um ano na França. Mas sabe o que é mais engraçado??? É que mais da metade desses sonhos a gente compartilha. Ela quer viver o mesmo que eu, eu quero viver o mesmo que ela. Ou seja, os trinta de anos de diferença entre a gente não fazem a menor diferença quando o assunto é sonhar. E isso, meu povo, é mais do que uma prova de que eu penso e vivo como uma criança, e que os 40 estão longe de ser o fim, é mesmo um incrível recomeço.

10. RSVP.

Com rugas. Sem mapa. Com pelos. Sem dinheiro. Com expectativa. Sem vergonha. Com ranço. Sem limites. Com compreensão. Sem noção.

Não importa. A vida é um convite.

E pra ela eu tô que nem Sidney Magal: ME CHAMA QUE EU VOU!!!

P.s: Essa foto linda de capa foi do dia do meu aniversário. Foi lindo sim, gentchy. Eu que tenha essa mania de querer demais. Ou não.

Escrito por

Oi! Sou Ana Ferrari.  Produtora de eventos, de filha bonita, de situações ridículas e de trapalhadas aleatórias. Especialista em perder coisas, fazer besteira, viver a vida e dar risada de si mesma.  PHD em crises existenciais que chegam antes dos 40 anos. Paulistana convicta com coração carioca. Leonina até dizer chega. Nem de direita, nem de esquerda. Interessada em igreja, centro, templo e terreiro. Experiente no luxo, no lixo e na luxúria, com vivência no erudito e no popular. Praticante de artes marciais, degustações de café, vinho e seriados. Aprendiz de escritora, de viajante e de violonista. E agora, de blogueira. ​ Pode isso, produção???

2 comentários em “Trago 10 verdades sobre os 40

  1. Mulher! Que saudade que eu tava de voltar aqui! Espero que pelas gringas esteja tudo rolando bem!
    Por aqui, acabo de perceber que ainda tem muito mais água pra rolar do que supus ao inteirar meus lindos 3.1 esse ano. Jura que esse faísca traquina dentro da gente não apaga nunca? Porque se assim for, continuo sempre [e sempre!] tendo lindos motivos para sonhar ainda mais alto.
    xoxo

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    1. Aaaah que comentário mais gostoso! Essa faísca não apaga nunca pra quem ama viver, amiga! As vezes a chama fica um pouquinho menor, mas a cada conquista, aniversário, ano novo, sonho realizado, seja o que for, ela vira um incêndio daqueles! Bom te ter por aqui! Aproveita esses 31 lindos!!! Beijoooo

      Curtido por 1 pessoa

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