Vonguiça.

Eita que faz tempo que não escrevo…. Tempo que não escrevo um texto. Escrever lista de supermercado e coisas pra fazer, isso é todo dia… Mas teixxxxto que é bom… nada. Niente. Zero.

Eu estava com aquele misto de vontade e preguiça e o tempo foi passando… Aliás essa mistura de sentimento é tão presente na minha vida que ela deveria ter uma palavra que a definisse pra simplificar. A Preguiça e a Vontade é um casal que “shippa” muito (é assim que escreve esse trem, millenials?). Já virou #Vonguiça. Elas sempre andaram de mãos dadas comigo. Aliás, mãos dadas é pouco, esse relacionamento sempre foi intenso. Eu, a Vontade e a Preguiça estamos vivendo um ménage a trois lésbico eterno. Quer exemplos? Temoooos! Seguem abaixo perguntas reais, feitas para mim por pessoas reais e respostas reais dadas por mim mesma: (ãaah?)

– “Porque você demorou tanto tempo para ter mais um filho?”.

– “Ah, eu tinha muita vontade, mas me dava tanta preguiça”.

– “Porque você não faz um blog?”.

– “Pô, sei lá. Tenho até vontade, mas dá uma puta preguiça”.

– “Porque você não cozinha de uma vez só e congela a comida para o resto da semana”?

– “Cara, eu acho incrível essa ideia, tenho mó vontade, mas e a preguiça?”

– “Porque você não sai pra correr já que não custa nada e você adora?”

– “Vontade não me falta, mas sobra preguiça”.

Simplificando: #VONGUIÇA.

Mano. Manooooo! Que porra de padrão é esse que eu tô seguindo minha vida inteira??? Justo eu, que me acho até bem descolada, corajosa, arrojada e outros milhões de adjetivos que só uma leonina convicta pode criar para si mesmo; descobri que carrego comigo um negócio que eu abomino chamado previsibilidade. Sim, sou previsível. Eu tenho uma resposta pronta que eu nunca percebi que tinha. Uma saída simpática pela tangente. Uma respostinha medíocre que domina minha vida. Looser.

Sério. Eu levei quase quarenta anos pra perceber que a #vonguiça é um lance que me manipula real. Eu poderia dizer que é uma guerra interna entre um lance super positivo que é a vontade, contra um lance muito negativo e auto-sabotador, que é a safada, sem-vergonha, miserável da preguiça. Mas dentro de mim parece que elas não pelejam, saca? Elas têm um tratado de paz. Cada dia uma deixa a outra se dar bem, as bichinhas são sagazes e persistentes, mas a gente segue “de boas”, e o tempo vai passando e a gente vai levando, e a procrastinação vai bombando e PAH!, você olhou no calendário, já é 2019 e até hoje você nunca se organizou pra congelar a porra da comida e tornar a sua vida infinitamente mais fácil e mais saudável.

Eu agora me pergunto se essa vontade é verdadeira mesmo… porque se ela fosse de verdade nenhuma preguiça do mundo se sobressairia a ela. E me pergunto se a preguiça é de verdade ou se é só um medo de tomar a iniciativa e não dar certo, e daí a gente dá aquela mascarada e coloca um nome mais bonitinho. E me pergunto se a gente finge que não é medo porque essa palavra parece fraqueza ou é assustadora demais. E me pergunto se o que vem antes é o ovo ou a galinha, se Tostines vende mais porque é fresquinho ou se é fresquinho porque vende mais, e me pergunto se ainda existe Tostines, porque aqui nos Estados Unidos a gente vive de Oreo, e me pergunto porque chamam a Oreo no Brasil de Negresco, e porque acabaram com o chocolate “Surpresa” que era lindo e ainda por cima educacional?

São tantas perguntas agora que, juro, tô com preguiça de pensar. Preguiça mesmo, não medo. Mas estou com vontade de continuar essa filosofia por horas, na sessão terapia comigo mesma, mas com uma taça de vinho na mão, porque eu não sou obrigada. Olha lá de novo… ela, a motherfucker da #vonguiça.


Enfim… o texto que eu ia escrever não tinha absolutamente nada a ver com isso. Eu juro que já nem me lembro sobre o que ia escrever. Acho que era sobre a proximidade dos meus 40 e como me sinto bem-resolvida (nesse momento o leitor gargalha em posição fetal). Juro também (sem dedos cruzados atrás “a la Didi Mocó”) que todas as perguntas passaram pela minha cabeça. Todas. Até as mais cretinas. Principalmente a do Chocolate Surpresa, porque de fato eu nunca entendi esse sumiço. Inclusive, se eu fosse uma “digital influencer” porreta lançaria agora a campanha #voltasurpresa. Mas agora o que eu realmente posso dizer é que estou chocada com a minha pequena-grande descoberta sobre mim mesma. Eu estou um misto de chocada com puta, saca? (Mano, nem vem com #chocuta, que daí já é demais…). Paremos por aqui. Vou para a terapia. Fui..

#voltasurpresa

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Escrito por

Oi! Sou Ana Ferrari.  Produtora de eventos, de filha bonita, de situações ridículas e de trapalhadas aleatórias. Especialista em perder coisas, fazer besteira, viver a vida e dar risada de si mesma.  PHD em crises existenciais que chegam antes dos 40 anos. Paulistana convicta com coração carioca. Leonina até dizer chega. Nem de direita, nem de esquerda. Interessada em igreja, centro, templo e terreiro. Experiente no luxo, no lixo e na luxúria, com vivência no erudito e no popular. Praticante de artes marciais, degustações de café, vinho e seriados. Aprendiz de escritora, de viajante e de violonista. E agora, de blogueira. ​ Pode isso, produção???

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