Cartas para Gergelim, 09. Quero sua risada mais gostosa.

New Jersey, 19 de outubro de 2018.

Ai Gergeliiiim! Já passaram mais de dois meses que tu chegou arrebatando meu coração e virando minha vida de cabeça pra baixo… Que delícia!
Eu podia lamentar e cantar a música da Katia Cega dizendo “que não tá sendo fácil”, mas eu seria um tanto ingrata, porque você, Gergelim, é um neném bem do tranquilo (será que dá azar falar isso tão cedo???). Ok, nem tão tranquilo assim porque tempo pra escrever, por exemplo, não “tá teno”. Mas “tamo tomano banho, comeno, passeano”, então vamos levantar as mãos pro céu e cantar uma música gospel (se eu soubesse alguma) porque é só gratidão que tem por aqui.

Mas porque eu resolvi te escrever agora??? Porque faz umas semanas que tu começou com um troço novo e que sacudiu tudo, transbordando inspiração. Tu começou a RIR, filha. E a sua risada é um presente que faz todos aqueles nove meses de engorda, todas as noites sem sono, todo o dinheiro gasto em sutiãs que caibam no peito da Jojo Toddynho valerem a pena. Porra, você começa a rir primeiro com os olhos, depois abre essa bocona banguela inteira e pra terminar ainda solta uns gritinhos tãaaao fofos… Bicho, eu me desmancho inteira. Eu e cada pessoa que vê essa cena, porque vou dizer, é uma cena linda de doer. É um lance programado pra gente se apaixonar, a natureza sabe das coisas… E todo dia, eu falo “com o cara lá de cima” (quem teve a infância nos anos 80 e assistiu Lua de Cristal sabe do que eu tô falando) e agradeço pacas por poder viver esse momento sempre. É muita sorte, né, miagente?

Mas o que eu queria dizer, filha, é que desde já e pra sempre, eu desejo que todo dia você bote esse sorriso na cara. Que você tenha motivos pra isso, que perceba que tem motivos pra isso, ou que até crie motivos pra isso. Ria sempre. Ria de si mesmo. Ria da vida. De qualquer coisa.
Ria com seu cachorro, com seus amigos, com vídeos engraçados, com filmes bobos.
(Só não faça como seu pai, por favor, que ri loucamente com as piadas da “Praça é Nossa” desde que nasceu, porque juro, aí já é demais. E eu nem preciso te explicar o que é isso, porque provavelmente quando você tiver trinta anos esse programa ainda vai estar passando na TV e você vai poder conferir. Só não sei se ainda vai ter TV… )
Enfim, ria comigo! Eu prometo fazer minha parte te falando todas as besteiras do mundo e sendo naturalmente atrapalhada. Faz parte do meu show! É meu charme, saca? (Mas disso seu pai não acha graça… vai entender…).

Enfim, filha, dizem que rir é o melhor remédio e eu assino embaixo. Uma boa risada gasta calorias, trabalha o abdômen. Uma boa risada transforma seu dia. Chorar de rir é magnífico. Mijar de rir nem tanto, mas é memorável e ainda vira motivo pra mais risada.

Um bom sorriso conquista pessoas, corações. Um bom humor deixa a vida mais leve.
E olha que essa vida tá se esforçando pra ficar pesada. Eita época estranha que você nasceu! As pessoas tão bem loucas, filha! Eu mal consigo acreditar no que eu vejo, no que eu ouço, no que eu leio. Mas sabe o quê? Ria deles também!!! Ou faça ainda melhor: sorria para eles! Quem sabe esse seu sorriso transforma um coração amargo e cheio de ódio, num coração doce e bom. Eu acredito nisso e quero que você acredite também.

Então a partir de agora temos um combinado: você me promete soltar essa tua risada mais gostosa e eu prometo te fazer acreditar que a vida pode ser maravilhosa.*

*olha eu aqui roubando descaradamente um trecho da música de Ivan Lins.
– quem???
– outra referência dos anos 80, sorry. (Google it!)

Escrito por

Oi! Sou Ana Ferrari.  Produtora de eventos, de filha bonita, de situações ridículas e de trapalhadas aleatórias. Especialista em perder coisas, fazer besteira, viver a vida e dar risada de si mesma.  PHD em crises existenciais que chegam antes dos 40 anos. Paulistana convicta com coração carioca. Leonina até dizer chega. Nem de direita, nem de esquerda. Interessada em igreja, centro, templo e terreiro. Experiente no luxo, no lixo e na luxúria, com vivência no erudito e no popular. Praticante de artes marciais, degustações de café, vinho e seriados. Aprendiz de escritora, de viajante e de violonista. E agora, de blogueira. ​ Pode isso, produção???

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