Do alto da maturidade… blábláblá

Tudo indicava que seria um dia normal até eu pegar o celular e olhar o calendário.

Dia 28.

Olha só, esse é meu dia, eu pensei… Olha só, daqui a seis meses eu faço aniversário… Olha só, daqui a seis meses eu faço 40. Quarenta???? Em seis meses???? Caraleeeeooooooo!!!
A primeira coisa que você pensa é: fodeu (ou fudeu, até hoje não sei como escreve, só sei que é foda).
A segunda coisa que você pensa é: chegou a hora de tomar uma atitude!!!

Então, posso dizer com orgulho, que deixei a minha amiga procrastinação de lado e fui logo pra ação! Imediatamente comprei um livro de autoajuda.

Por quê??? Porque claramente eu preciso de ajuda, miagente. Não dá pra enfrentar esse momento sozinha. Ainda mais eu que estou totalmente perdida, do tipo “Oncotô? Proncovô?”… eu não tenho a mais puta ideia do que fazer nessa vida. Eu sigo dançando conforme a música, mas o DJ tá bem louco. É como fim de festa de casamento, quando o DJ pode tocar um funk pesadão pra tu descer até o chão, soltar uma balada pra dançar a dois ou já mandar um Frank Sinatra pra sinalizar que é hora de ir embora. Você não sabe o que vem, você não tem controle nenhum da situação, você nem sente mais o pé, a sua cabeça está cheia de cachaça, champagne, cerveja e tudo mais que você misturou na noite, você abraça qualquer um que esteja perto, mas você tá feliz e sabe que seja lá o que for tocar, você está pronta para dançar como se não houvesse amanhã (e como se ninguém tivesse filmando para as redes sociais). Essa sou eu, nos meus 39 anos e 6 meses de idade.

Yeah, babe, I´m lost. Perdida. Perdidinha da Silva.

Mas como eu não brinco em serviço e fico mais louca em livraria do que em farmácia americana, resolvi também comprar, além do livro, uma agenda e um bloco de anotações.
Pra que agenda? Eu digo:

Uma semana na nossa vida passa assim: segunda, terça, quarta, quinta, sexta, piscou, segunda, …
A nossa vida, depois de um certo momento, passa assim: 30, 31, 32, 33, 34, 35, piscou, quase quarenta.
E eu, visionária que sou, já imagino que os próximos meses vão passar assim: fevereiro, março, piscou, maio, piscou, “quarentou”.

Então eu preciso pelo menos não piscar tanto e controlar essa porra pra não passar tão rápido. Por isso a agenda. Daquelas tipo caderninho mermo, das antigas, nada virtual. Quero ver ali cada dia escrito, agradecer por viver cada minuto deles, escrever em cada data mais uma tarefa que eu não vou cumprir e riscar uma ou outra que eu vou, anotar os compromissos que eu ainda não tenho e que depois vou rezar pra desmarcar, anotar as datas do Grammy e do Oscar, porque, putz, eu sempre esqueço…
Enfim, quero curtir lentamente esses seis meses e tentar planejar essa contagem regressiva.
Quando eu digo tentar planejar é porque, do alto da minha maturidade de alguém de QUASE 40 anos (geralmente com responsabilidade de 18), posso dizer que tu pode até sonhar, querer, traçar, trabalhar, fazer…, mas tu nunca, jamais, em hipótese nenhuma, pode planejar. Quer dizer, poder pode, e isso é bom e faz bem, mas não pode contar que aquilo vai sair exatamente como o planejado porque a vida vai lá e PAH! Faz totalmente diferente. Pode ser muito frustrante. Mas pode ser muito mais divertido também.

E tem o lance da compra do bloco de notas… pra quê? Pra escrever ideias, frases, vontades e fazer listas, óbvio…. do tipo “1000 coisas pra fazer antes de fazer 40”. E dessas mil coisas eu devo ter pelo menos metade que ainda quero fazer, com certeza, e é muito típico meu deixar para finalzinho do segundo tempo. Mas novamente, do alto da minha maturidade de alguém de QUASE 40 anos, eu tenho noção de que preciso ter bom senso e não listar absolutamente tudo que eu quero fazer, porque sejamos razoáveis… não vai dar nem pra fazer 10 coisas, quanto mais mil. Mas vumbora tentar.
Outra coisa, é que não vou jogar sujo comigo mesmo e querer coisas impossíveis, coisas que meu dinheiro (que dinheiro???) não pode comprar, por exemplo. Não vou almejar ir num restaurante estrelado em New York, mas posso sim “estar sonhando” em ir numa churrascaria bem brasileira. Aliás eu sonho com picanha dia sim, dia não. Também vou desistir da ideia de chegar aos quarenta na melhor forma da minha vida, porque francamente eu ainda tenho quinze quilos que restaram da gravidez, distribuídos harmoniosamente (só que não) na barriga flácida, nos peitos da Jojo Toddynho e nos braços enormes a la mama italiana. É, não dá pra sonhar tão alto. Eu posso ter chorado ao me ver e não me reconhecer no espelho do provador de uma loja na semana passada, mas do alto da minha maturidade de alguém de QUASE 40 anos, eu parei, respirei fundo e me aceitei, porque foi aquele corpo estranho que gerou tanto amor. Lindo, né? Mas isso é uma “semi-verdade”. É verdade sim que eu pensei dessa forma madura e positiva, mas também é verdade que continuei me lamentando por horas e lembrei de um monte de amiga que teve bebê na mesma época que eu e que agora anda desfilando barrigas chapadas pelo Instagram…  Mas novamente, do alto da minha maturidade de alguém de QUASE 40 anos, pensei: comparação é a mãe da frustração, miagente! Erro brutal nessa vida é se comparar com qualquer pessoa, seja lá de que idade for (alow Jennifer Lopez). Bora ser feliz! Comparar jamais, mas se inspirar sempre.  Afe… nem eu me aguento com tanta maturidade.

Outra coisa que eu tenho noção que não dá pra pegar pesado nesses próximos meses  é essa coisa de querer realizar fantasia. Esquece. Aquele lance de eu ainda sou “xófem”, vou endoidecer, fazer menage, swing, suruba, transar num balão, numa moto, cada mês num meio de transporte diferente… Não, meu amor, sossega essa piriquita. A fantasia tá sendo só transar mesmo. Com som e pelado, então… é superbônus, é ganhar na loteria. Menos expectativas para o fim dos trinta e tantos anos…

O que me restou então, gentchy? Não sei. Talvez o livro de auto-ajuda me ajude. E eu já li umas dez páginas e posso dizer que já me deu um up! Provavelmente, você que está lendo isso até aqui (tem alguém aí?), deve dizer: drama, drama, drama. É só um aniversário. Ah, não é não. Não é mermoooo! É um aniversário de idade “redonda”, tipo 20, tipo 30. É marcante, é virar uma década, uma página. É conquista. É pressão.

E quando a gente era adolescente olhava pra alguém de 30 anos e dizia que o cara era “coroa”. Daí a minha geração, esperta demais, quando viu que estava se aproximando disso começou a dizer que o “40 é o novo 30”. Mentira deslavada de publicitários tratantes. E pra servir de consolo ainda criaram a frase: “a vida começa aos 40”. Não, querido. A minha vida começou há 40 anos atrás (e recomeça um pouquinho todo dia). Mas ok, eu aguento esse tipo de frase feita cheia de esperança, porque eu sou uma otimista de nascença. Mas não me peçam pra aguentar a seguinte frase:

 – Chegou na casa do “enta”, hein?

Falou isso pra mim daqui a seis meses, já vou logo avisando… do alto da maturidade de alguém de FINALMENTE 40, eu vou mandar vc tomar no…piiiiiiiiiiii.

Fim.

 

 

Escrito por

Oi! Sou Ana Ferrari.  Produtora de eventos, de filha bonita, de situações ridículas e de trapalhadas aleatórias. Especialista em perder coisas, fazer besteira, viver a vida e dar risada de si mesma.  PHD em crises existenciais que chegam antes dos 40 anos. Paulistana convicta com coração carioca. Leonina até dizer chega. Nem de direita, nem de esquerda. Interessada em igreja, centro, templo e terreiro. Experiente no luxo, no lixo e na luxúria, com vivência no erudito e no popular. Praticante de artes marciais, degustações de café, vinho e seriados. Aprendiz de escritora, de viajante e de violonista. E agora, de blogueira. ​ Pode isso, produção???

2 comentários em “Do alto da maturidade… blábláblá

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