Tem que ter e ponto final.

Depois de um texto falando só sobre cheques, fiquei pensando aqui em duas coisas. Primeira: como eu consegui fazer um textão só disso? Segunda: quais outras coisas que aqui nos States não adianta fugir, tem que ter. É claro que eu não estou falando aqui de coisas básicas, do tipo: dinheiro, visto, carteira de motorista, conta no banco, “culhão”, bom senso e um pouco de juízo. Estou falando de coisas que talvez você não tivesse se morasse em outro lugar, mas aqui, brother, é fundamental. Então eu, que adoro listas, resolvi fazer outro top 10 USA. Não vai mudar em nada sua vida, mas mesmo assim, segue o jogo e fica a dica: AS 10 COISAS QUE TEM QUE TER NA AMERICA…

1)      Cheque.

OK, já falei disso, mas não é que o assunto ganhou mais comentários e eu ganhei ainda mais aprendizado sobre o tema? Existem sim outros subterfúgios (adoro essa palavra) para fazer transações e pagamentos, tipo o tal do Venmo, por exemplo, que já me deram a dica, mas eu ainda não fui a fundo pra entender; mas quem mora aqui “endossou” (olha o trocadilho aí): sim, tem que ter cheque, meu bem. Um amigo que tem uma pequena agência na Florida me falou que o talão dele tem, nada mais, nada menos, um total de 1000 cheques (miiiiil, Brasiiiiil!). Eu desacreditei e falei: “eu quero ibagens cobandante Habilton”! E ele me mandou as fotos. Pode cair pra trás agora.

2)      Conta na Amazon.

Meu amigo, esqueça Mark Zuckerberg, Bill Gates ou qualquer outro milionários desse. O cara pica das galáxias do momento é  Mr. Jeff Bezos, dono da Amazon, que tá com uma conta bancária bem parecida com a minha, num valor que gira em torno de 150 Bilhões. E de quem é a culpa dele encher o brioco de dinheiro sem parar??? Minha! Minha e de todos os americanos. A economia mudou por causa disso e um monte de loja grande e famosa já faliu por conta dessa gigante (tipo quando surgiu a Blockbuster no Brasil e todas as locadoras de vídeo foram falindo aos poucos, saca?). Mas ao mesmo tempo lá tem oportunidade de emprego a rodo, eles estão quase catando gente na rua pra trabalhar (tipo a Uninove faz com os estudantes) e na contramão de tudo, agora ainda abriram duas lojas físicas só em New York. Dá pra entender?

Bom, eu compro tudo, tudo, tudo lá. Ração, móveis, coisa pra casa, tinta pra cabelo, tapioca, creme de leite de verdade…. TUDO. Quase não saio de casa para fazer compra e quando saio, ainda entro no aplicativo pra dar uma comparada. Qual a chance de ter um preço melhor na Amazon? 99%. E daí você faz o que? Três cliques e pronto, logo mais a caixa tá lá minha porta. Até filme pra assistir em casa eu compro na TV pela minha conta e acesso na hora por menos de 4 dólares.

Simples, fácil e barato. Então, Mr. Jeff, “Bezos” pra você.

3)      Geladeira gigante.

Dizem que Itu é a terra das coisas gigantes (e África, pra algumas outras coisas, se é que vocês me entendem…). Mas desencana de Itu, amor, porque coisas gigantes você encontra mesmo é nos Estados Unidos. Calcinhas gigantes, sutiãs gigantes, camisas que cabem quatro pessoas, bermudas que mais parecem calças. E com comida é óbvio que não é diferente: sacos enormes de tudo que é coisa e bebidas que vem em embalagem de galão, o que equivale a quase 4 litros. Ou seja, se você deseja ter leite, suco de laranja, água, ok. Mas se você quer comprar também uma limonada ou um achocolatado, é melhor você comprar junto outra geladeira. Porque não cabe. Cada vez que você vai ao supermercado você lota seu porta-malas (não dá pra ter Mini Cooper, ok?), seus armários todos e entope a sua geladeira, o que requer um curso de logística e armazenamento de suprimentos. Imagina se vier um furacão e você tiver que fazer estoque de coisas? Talvez você tenha que transformar sua garagem numa câmara frigorífica, pense nisso.

Agora me diz se vende vinho em galão??? Claro que não! Nem vendem vinho em supermercado! E isso, miagente, é o pior defeito desse país. Imperdoável.

4)      Crédito na praça.

Sim, meu bem, tu tem que ter uma fama de bom pagador pra poder se dar bem aqui. Tem todo um sistema de pontuação e avaliação pra isso, que é chamado de score. Você tem que ter um score alto para ser considerado um cara de confiança no quesito pagamento. E o que você precisa fazer para aumentar seu crédito?

1-      Você precisa fazer dívida (isso tá fácil, é comigo mesmo).

2-      Você precisa pagar suas dívidas em dia (isso já complicou bastante).

Mas a loucura é que eles não te deixam fazer dívida se você não tem crédito, e você não tem crédito porque antes precisa fazer dívida.

OU “SEJE” 1: é tipo Tostines, “vende mais porque é fresquinho, ou é fresquinho porque vende mais?”.

OU “SEJE” 2: se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.

OU “SEJE” 3: é difícil pra cacete resolver esse impasse.

Mas com o tempo, com muita paciência e fazendo cara confiante, do tipo: “é óbvio que eu posso pagar essa merda”, você vai conseguindo fazer pequenas dívidas, depois dívidas médias e por fim dívidas maiores, até você ter um crédito fudido ou ficar completamente fudido. Ah, e não adianta querer consultar seu crédito antes de fazer qualquer financiamento, tá, meu bem? Porque se tu consulta, o seu crédito diminui. Ãaaaahnnnn???

5)      Latões e mais latões de lixo reciclável.

Seguinte: se tu tem pinguinho de consideração com o nosso amigo meio-ambiente, tu vai enlouquecer aqui na América. E eu não digo isso no bom sentido, não. Aqui não é só a terra do consumo, mas também é a terra do desperdício. Vou dar dois exemplos simples:

– Se você compra alguma coisa pela internet (e como eu já disse antes, todo mundo compra), pra chegar até você, essa compra vem numa outra embalagem. E essa embalagem às vezes é dez vezes o tamanho da outra caixa. E dentro ainda tem plástico, isopor, e a porra toda pra proteger. Imagina quem compra toda semana alguma coisinha (tipo eu)? São dezenas de caixas chegando por mês e um tantão de lixo produzido. Vergonhoso. Monstruoso.

– Se você vai a um restaurante, assim que você senta, o garçom, gentilmente, já coloca na sua mesa gentilmente um copo de água, mesmo sem você pedir. E às vezes vem num copo de plástico. E sempre vem com um canudo. E daí que se você não quer a água, você simplesmente desperdiçou a água, um copo e um canudo. Agora multiplica por todos os clientes de todos os restaurantes… Pois é. Dói.

E como isso são só duas pequenas amostras de tantas outras coisas que tem por aqui, o mínimo que tu pode fazer, brother, é reciclar o seu lixo. E aqui onde eu moro significa esperar quinze dias para o caminhão do lixo reciclável passar… o que significa que você tem que guardar um espaço na sua casa e no seu coração para todas essas caixas de compras e embalagens de suco gigantes que você consumiu. E também significa que você NUNCA, JAMAIS, em hipótese NENHUMA pode esquecer de colocar as suas dezenas de latões na rua no dia certo, porque imagina passar um mês mergulhada em caixas de papelão???

6)      Carro.

(Atenção, atenção: isso não vale para quem vai pra New York ou qualquer outra cidade grande onde é tudo perto e o metrô chega quase até a porta do seu quarto).

Para quem mora no subúrbio é IMPOSSÍVEL imaginar uma vida sem carro. Isso porque não tem aquela de “vou ali dar uma chegadinha na padaria”, “uma caminhadinha até a farmácia” ou “uma andadinha até a loja”. Esqueçaaa! A não ser que você queira ser um daqueles andarilhos que ficam nos acostamentos das estradas. Nem calçada tem, meu amigo! O negócio simplesmente não é planejado para caminhar. Olha como são as coisas… Em março, eu estava fazendo o Caminho de Santiago de Compostela andando cerca de 20km em 1 dia. Em abril, eu estava morando nos Estados Unidos andando cerca de 1km em 20 dias.

Então se você quiser andar bastante, meu querido, dê voltas dentro de um Walmart!

Masss… tudo tem um lado bom. Você pega o seu carrinho confortável e automático, sai de casa, e em 8 minutos você encontra não só uma padaria, mas 3 mercados gigantescos. Não só uma farmácia, mas sim 3 farmácias enormes que vendem até sua mãe lá dentro e vendem, inclusive, vejam só, remédios. E ao lado disso, você não tem lojinhas, mas sim 10 super-mega-blaster stores que dá para passar o dia inteiro.

É tudo assim… é longe, mas é perto; é ruim, mas é bom; é chato, mas é legal. Sacou???

7)      Conversor de unidades e medidas.

Porque, meu Deus???? Por quê???? Todo dia eu praguejo, amaldiçoo e desejo uma diarreia sem fim, ao ser humano que decidiu ser completamente diferente do resto do mundo e resolveu que aqui na América todas as medidas deveriam ser outras. Peso em libras, altura em pés, largura em polegadas, distância em milhas, volume em onças, temperatura em Farenheit… não dava pra ter pelo menos uma coisa igual? Não. Pelo jeito não.

Você vai preencher um formulário que pede a sua altura: você não sabe. Você vai querer saber o quanto aquela cidade é distante: você não sabe. Você vai querer fazer uma receita: você não consegue. É como se você voltasse a ter seis anos de idade e ter que aprender a ver as horas num relógio de ponteiro. Você simplesmente pensa: “eu nunca vou aprender essa merda”. Pra tudo, pra absolutamente tudo, eu preciso de um conversor. Eu vejo chegar o dia que não mais precisarei de um tradutor, mas não consigo enxergar um dia que não precisarei de um conversor. É uma frustração sem fim.

A única coisa que ficou fácil de converter esse ano foi a moeda, que é só dividir por 4, não é mesmo, miagente? Mas essa conversão é melhor nem fazer, porque, só de pensar, dá vontade de se jogar da ponte. Ponte do Brooklyn, claro, porque a gente é pobre, ganha em real, mas a gente é chique.

8)      Apreço por frango.

Sim, meu amigo. Se você é da turma do filé mignon, da fraldinha e do baby beef; se você chega no açougue no Brasil e pede tranquilamente uma picanha daquelas que desmancham na boca, eu te digo duas coisas. Uma: eu te invejo. Duas: esteja preparado para chegar aqui e rever seus conceitos e quem sabe até tornar-se vegetariano. A não ser, claro, que você ganhe na loteria e possa bancar viver pagando uma bica para consumir uma boa carne vermelha.

Mas se você não tá com essa bola toda e não tá com a coragem de ser vegano, faça como eu: vá de frango. Aqui em casa tem frango no almoço, no jantar, quiçá no café-da-manhã. Torta de frango, strogonoff de frango, frango grelhado, frango assado, frango à milanesa… No restaurante? Frango a parmegianna. No delivery? Frango frito. No Fast Food? Mc Chicken (por apenas 1 dólar, veja bem). E seguimos o jogo, enchendo o corpo de hormônio e esperando o Dia de Ação de Graças e o Natal pra comer um frango mais parrudo e mais classudo: o Peru!

9)      Habilidades Manuais.

Quando eu digo habilidades manuais, leia-se: qualquer coisa. Qualquer coisa que tu saiba fazer tá valendo. Limpeza, costura, marcenaria, jardinagem, comida, cabelo, encanamento, instalação elétrica… Isso porque serviço aqui é uma granaaaa! Mão-de-obra vale mais que ouro, então o negócio é ir na linha do DIY (“Do It Yourself”, mais conhecido como o “Faça você mesmo”), porque só assim para conseguir equilibrar as contas. O bom é que esse lance de DIY é bem cultural daqui, então é mais do que normal você botar a mão na massa ao invés de contratar gente. E as lojas alugam máquinas grandes pra te ajudar no serviço de casa, o que é sensacional. E os produtos de limpeza são maravilhosos. E tem programas e mais programas de TV te ensinando a fazer um zilhão de coisas. E tem Youtube pra quê, né, miagente?

Só não existe ainda tutorial ensinando como você faz para multiplicar seu tempo e dar conta de fazer tudinho. Fica tudo pela metade. Ou fica tudo uma merda mesmo. E daí quando você vê, você já se tornou aquele tipo de pessoa que sonha com um aspirador de pó daqueles robôs, que faz tudo sozinho. E daí você me pergunta: Aspirador robô? Isso não é coisa dos Jetsons??? E eu te digo que: Não, não é. É real, custa 190 dólares (com wifi), e eu tô só esperando a Black Friday chegar. Me aguardeeem!

10)   Paciência com o Telemarketing.

E você achando que o call center do Brasil é de enlouquecer… Vem pra cá, vem.

Vem atender milhares de ligações por dia, oferecendo viagem, empréstimo, plano de saúde, emprego e o raio que o parta (é assim que escreve isso?). Vem pra cá decifrar esse inglês com esse sotaque m-a-r-a-v-i-l-h-o-s-o que os indianos falam (a Índia está toda aqui, só sobrou o Taj Mahal por lá, e uma boa parte deles trabalham com telemarketing).

A única grande vantagem daqui em relação ao Brasil é que quando você finalmente entende o que eles estão te oferecendo (eu já não nem me dou mais ao trabalho) e fala “No, thank you”, eles não tentam te empurrar o produto até você cansar…

Eles fazem o quê??? Desligam na sua cara. PAH! Todas as vezes. Uma simpatia.

 

 

 

 

 

 

 

 

Escrito por

Oi! Sou Ana Ferrari.  Produtora de eventos, de filha bonita, de situações ridículas e de trapalhadas aleatórias. Especialista em perder coisas, fazer besteira, viver a vida e dar risada de si mesma.  PHD em crises existenciais que chegam antes dos 40 anos. Paulistana convicta com coração carioca. Leonina até dizer chega. Nem de direita, nem de esquerda. Interessada em igreja, centro, templo e terreiro. Experiente no luxo, no lixo e na luxúria, com vivência no erudito e no popular. Praticante de artes marciais, degustações de café, vinho e seriados. Aprendiz de escritora, de viajante e de violonista. E agora, de blogueira. ​ Pode isso, produção???

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