O primeiro Halloween a gente nunca esquece

It´s Halloween time, babeeee!

Pra quem me conhece pelo menos um pouquinho, sabe que eu sou completamente louca por uma feixxta! Eu poderia ter nascido na Bahia em pleno Carnaval coberta de glitter e vestida de Carmem Miranda porque me identifico horrores com isso tudo: baêa, carnaval, glitter, fantasia. Ou “SEJE”, falou em primeiro Halloween nos States e é óbvio que eu já estava contando os dias pra participar desse babado com todos os paranauês possíveis.

Acontece que o clima de Halloween aqui começa muito antes… final de setembro já estava bombando…

Na terra do consumo é óbvio que as lojas saem na frente com tudo que você imaginar: decoração, fantasia, roupa, doces e tudo o que só tem nessa época. Uma loucura! Você tem vontade de comprar absolutamente tudo. E aí você olha a sua conta no banco e não compra absolutamente nada.

Outra coisa que pipoca em todos os lugares são eventos pré-Halloween: paradas, festas, trens, festivais, exposição de Jack-o-Lantern (aquela abóbora terrorista), etc… uma loucura! Dá vontade de ir em tudo. E aí você olha a sua conta no banco e não vai em absolutamente nada.

Mentira, não dá vontade de ir em tudo. Tem coisa que eu não vou nem que me paguem. Um lance que tem de monte aqui são as Haunted Houses, vulgo “casas mal-assombradas”. Preparadas pra te fazer morrer de medo com tudo que é monstro, cenário, projeção e efeito especial. Eu já me cago toda só de ouvir a música do vídeo da propaganda, imagina se eu fosse. Na Philadelphia, então, eles tem uma prisão (de verdade), abandonada (de verdade) e que vira terror puro no mês de outubro pra você visitar. Você acha que eu vou numa parada dessas??? Nem F-O-D-E-N…

E mentira também que eu não fui em nada, eu dei sim um rolê halloweenzístico por aí…

·         Fui no Fright Fest do Six Flags, que é um puta parque de diversões. Se você tem mais de 30 anos e foi feliz (muito, muito feliz) no Playcenter, é igualzinho às Noites do Terror que tinha por lá, mas com mais dinheiro. Mas, se eu com 12 anos, não ia nas atrações onde ficavam os monstros porque morria de medo, hoje, com 39 anos, posso dizer que:  nada mudou. Eu continuo me cagando.

·         Fui num festival de outono numa fazenda para pegar abóboras e fui num passeio de trem a uma hora e meia daqui para fazer o que? Pegar abóbora! (Como se não existisse a possibilidade de ir no Walmart e comprar abóboras por 3 dólares… ).

·         Fui também numa Halloween Parade na cidade de Princeton, onde todo mundo se reúne numa praça toda decorada, com música de fanfarra, geral fantasiada, e todo mundo caminha junto para chegar até a YMCA (cante comigo e com o Village People: it´s fun to stay at the “uai-emi-ci-ei”), onde tem show, brinquedos e vários carros com porta-malas todos decorados, e gente distribuindo candies para as crianças. Simples, porém, genial e divertido.

Fora tudo isso, tem a TV, claro, que passa todos os desenhos e filmes relacionados a Halloween que existem na vida, além de mudar o próprio template da programação, com um fundinho meio macabro… E foi na TV também que eu vi a melhor fantasia desse ano, no programa da ídola Ellen Degeneres, inspirada naquele filme Nasce uma Estrela (A Star is Born, com a Lady Gaga e com o Bradley Fucking Hot Cooper), onde a pessoa fica dentro de uma maca fingindo que está parindo uma estrela (o vídeo tá lá embaixo). É sensacional!

E tem as casas… ah, as casas… Mano, tem cada decoração de cair o queixo, é uma delícia de ver. Tem esqueletos sentados nos bancos, aranhas e morcegos nas árvores, lápides de cemitério na grama, mancha de sangue nas janelas, faixa amarela na porta e as vezes na casa toda (daquelas escrito CAUTION usadas quando tem crime, saca?), luzes, fantasmas infláveis, projeções. Um cenário mais criativo que o outro, é fantástico.

A minha casa estava fantástica também, sabe o que tinha? Três abóboras.

E para o dia 31 de outubro?

Bom, pela minha atual condição de mãe de Gergelim (uma pequena e gorda bebê) eu sabia que não dava para ir numas daquelas festas iradas no Greenwich Village em Nova York, com muchos drinks, fantasias super sexy e orgias (pelo menos é assim na minha imaginação), infelizmente, então eu teria que me contentar em fazer a festa aqui mermo, pelas redondezas da pequena e pacata cidade de Miracema do Norte Robbinsville. Eu também tinha algumas restrições quanto à fantasia, que precisava atender a alguns requisitos:

1)      Frio do caralho – precisava cobrir o corpo todo.

2)      15kg a mais pós-gravidez – apertada, jamais!

3)      Não pode assustar um bebê – nada de terror ou palhaço.

4)      Coubesse no meu orçamento – de quem ganha em real e tem uma família inteira pra fantasiar

5)      Necessidade de amamentação – com zíper, para que a qualquer momento, eu pudesse, assim como quem não quer nada, sacar o peito pra fora no meio da rua.

6)      Que eu me identificasse – a de freira, por exemplo, não me representa tanto assim…

E não é que eu achei, miagenteeeee?! Vaca-leiteira, 19 doletas no Walmart. Bingo!

Pois então saí com a família toda, leve e faceira, para a sessão de trick-and-treats, louca para fazer travessuras e me empapuçar de doces. Foi divertido! Foi tipo filme! Foi delícia! Ficou mais delícia ainda quando um amigo trouxe, além de dois cachorros, uma bolsa térmica com gelo, licor de abóbora (parece Baileys) e aqueles copos vermelhos (que a gente sempre viu na TV, que ninguém sabe se você está tomando água ou vodka). Show! O povo todo na rua de fantasia, a criançada gritando, eu me embebedando, as casas com altas produções, as mães felizes que não vão precisar gastar dinheiro com doces até o Natal e os dentistas mais felizes ainda que vão ter muitos dentes careados para cuidar nos próximos meses.

E agora vem o que? Thanksgiving e Natal! E já fica todo mundo doido de novo com mais festas e feriados. Melhor época pra se estar aqui, sem dúvida, uma experiência que eu jamais vou esquecer.

Happy Halloween!!!


P.S 1: ainda acho que tá pra nascer um povo que saiba fazer festa que nem brasileiro. O nosso Réveillon e o nosso Carnaval deixam qualquer festa gringa no chinelo porque a gente sabe celebrar como ninguém, mesmo às vezes tendo muito pouco recurso. O brasileiro é foda e eu morro de saudade dessa energia e já sei que vou chorar horrores em fevereiro. A diferença aqui é que americano consegue amplificar uma festa em todos os detalhes e alcançar qualquer pessoa com isso. Então mesmo que a criança more numa fazenda nos confins de Iowa ela vai sim se divertir com o Halloween e isso é, convenhamos, fantástico.

P.S 2: estou aceitando receitas incríveis para usar os 10kgs de abóbora que eu tenho em casa. Gradecida.


 

vaca
Com a fantasia de Vaca é a Mãe!

 

Escrito por

Oi! Sou Ana Ferrari.  Produtora de eventos, de filha bonita, de situações ridículas e de trapalhadas aleatórias. Especialista em perder coisas, fazer besteira, viver a vida e dar risada de si mesma.  PHD em crises existenciais que chegam antes dos 40 anos. Paulistana convicta com coração carioca. Leonina até dizer chega. Nem de direita, nem de esquerda. Interessada em igreja, centro, templo e terreiro. Experiente no luxo, no lixo e na luxúria, com vivência no erudito e no popular. Praticante de artes marciais, degustações de café, vinho e seriados. Aprendiz de escritora, de viajante e de violonista. E agora, de blogueira. ​ Pode isso, produção???

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