O episódio da caixa de correio

Logo que eu mudei pra cá, o dono da casa que alugamos falou: “vocês precisam comprar e instalar uma nova caixa de correio porque a última quebrou.” E nós, super eufóricos, fomos lá pra nossa primeira missão. Parece ridículo, mas a gente estava animado, porque vivendo dentro de condomínio a vida toda, a gente nunca teve uma caixa de correio pra chamar de nossa.
Fomos na loja, compramos a caixa, o pedestal, os números e logo que chegamos o maridão foi instalar. Escolheu um lugar na frente da casa, cavou o buraco, montou direitinho e voilá! Ficou lindo, tiramos até foto!
Poucos minutos depois, o carrinho do US Postal Service passa por lá, o moço me vê em frente à casa e fala: “olha, a caixa postal de vocês está errada, nessa rua a gente só passa do outro lado, você precisa colocar a sua caixa junto com aquelas ali ó”, e apontou pro outro lado da rua para um cantinho entre duas outras casas. O que??? Não fala issoooo!!!Esse moço acabou com um sonho de uma família e nem sabe. Jogou na gente aquele balde de gelo do desafio, saca??? Esse moço contou pra dois brasileiros super animados, que sempre viram nos filmes a caixinha do correio em frente às casas americanas, que eles não teriam a chance de ter uma igual. Nosso mundo ruiu.
Fomos curtir a nossa fossa dentro de casa e falamos: “ok, depois a gente coloca lá do outro lado…”. Ahã… Tá certo… Cinco minutos depois já veio um vizinho que passou de carro, buzinou e gritou: “Hi! Essa caixa de correio tem que ser colocada do outro lado!” e apontou. Eu virei pra ele e disse super fofa: “oh, thank you” e voltei pra casa, putíssima.
Mais alguns minutos depois, a vizinha da frente vem toda simpática… Adivinha fazer o quê???? Sim, nos explicar que precisava mudar o local da caixa de correio. E eu só digo: “Oh, I know, thank you”. Mal deu tempo de tirar o sorriso amarelo da minha cara e já foi passando o terceiro vizinho olhando pra minha cara e pra minha caixa de correio, pra minha cara e pra caixa de correio, pra minha cara e pra caixa de correio…. E antes que ele tentasse abrir a boca eu já gritei: “Yeah, I know!” e fiz um “joinha” pra ele (mas a vontade era de fazer outro sinal…). Depois disso, só virei pro marido e disse “arranca essa merda de lá pelo amor de Jeová”.
E assim foi feito. Instalamos do outro lado da rua, naquele cantinho sem graça. Bem mais tarde vem a vizinha de novo, toda serelepe, portadora das más notícias. “O que será agora, for God’s sake?”, eu pensei. E ela veio dizer que a gente colocou no local certo, mas do lado errado, o nosso número era 101 e colocamos ao lado da 99 e não da 100. Oh my Goooooood! Respiramos fundo e fomos lá trocar. Quando abrimos a caixa qual foi a surpresa??? Já tinha carta. Mas já? Sim, já! Um monte. Bom, então deixa está merrrrda assim, porque tá valendo.
E assim está, há sete meses.

Bom, encerrado esse episódio, há duas coisas a falar sobre caixas de correio:
  1. Caixas de correio, assim como os cheques, podem ser super personalizadas e divertidas. Aqui nas redondezas tem uma que é um peixe gigante, outra é de vaca, outra tem a cabeça do Darth Vader. Tem gente que coloca o nome da família, tem gente que coloca a bandeira do USA, tem gente que deixa tudo lindo, cheio de flores! A minha tá um cocô, com os números caindo tudo, masss como é do outro lado da rua, eu não ligo! I really don’t care! Ca-gay!
  2. A pergunta é: como a gente pode ter recebido carta na caixa de a gente tinha acabado de chegar e supostamente não éramos ninguém aqui??? Brother, eu não tenho a mais puta ideia! Tudo bem, tinha um monte de jornal, cupom (bicho, tem cupom de desconto pra você comprar até sua mãe), propaganda “a rodo”, mas tinha coisas endereçadas a “Ferrari Family”. Manoooo, como assim? Será que o FBI já tem meus dados???

 

 

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É noix no mico da caixa de correio!

Escrito por

Oi! Sou Ana Ferrari.  Produtora de eventos, de filha bonita, de situações ridículas e de trapalhadas aleatórias. Especialista em perder coisas, fazer besteira, viver a vida e dar risada de si mesma.  PHD em crises existenciais que chegam antes dos 40 anos. Paulistana convicta com coração carioca. Leonina até dizer chega. Nem de direita, nem de esquerda. Interessada em igreja, centro, templo e terreiro. Experiente no luxo, no lixo e na luxúria, com vivência no erudito e no popular. Praticante de artes marciais, degustações de café, vinho e seriados. Aprendiz de escritora, de viajante e de violonista. E agora, de blogueira. ​ Pode isso, produção???

4 comentários em “O episódio da caixa de correio

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