Living the American Dream

Mais de sete meses aqui nos USA vivendo o tal do “American Dream” e eu já poderia escrever um livro de mil páginas ou passar horas falando sobre esse país. Sobra assunto, falta tempo. Mas tem tanta coisa boa, tanta coisa incrível e também tanta coisa ruim e bizarra, que eu senti vontade de “colocar no papel” (essa expressão vai morrer em 3,2,1…) tudo o que eu penso agora e depois ver se, daqui a alguns anos, o meu ponto de vista mudou, ou eu mudei, ou o mundo mudou. Veremos!
Bom, pra começar, preciso dizer onde eu vim parar e o porquê.
Esse sonho de morar fora já existia há algum tempo e com o passar dos anos ele foi criando forma, foi deixando de ser só pensamento e foi virando ação, até enfim virar a mais pura realidade. Não, eu não queria deixar o Brasil pra sempre e nem tinha a doce ilusão que longe dali eu teria uma vida melhor. Não era isso. Eu tinha uma casa, um carro, uma carreira, uma família que eu amo pertinho de mim, um bando de amigos. Tinha tudo o que precisava pra ser feliz e ficar “de boas”. Tinha medo também, é verdade, medo dessa violência absurda. Mas o que eu mais tinha era vontade de viver uma aventura absolutamente nova, uma ânsia pelo desconhecido, uma vontade de me jogar nesse mundão de meodeos. E tinha, óbvio, muita coragem pra isso. E foi então que larguei emprego, vendi o apê (não precisei vender o carro porque um ladrão “querido” me poupou desse trabalho), doei uma porrada de coisa, me despedi da família com o coração apertado, peguei o marido numa mão e uma filha mais velha na outra (a pequena já estava deitada confortavelmente dentro da minha barriga, pronta pra viagem), e enfim viemos pra América trazendo todos os quilos de bagagem permitidos pela Delta Airlines.
O lugar escolhido (não por mim, porque eu não fazia a mais puta ideia de como era) foi uma pequena cidade no centro do estado de New Jersey, chamada Robbinsville. Uma cidade de uns 13 mil habitantes. Eu disse TREZE mil, entende? Isso significa simplesmente 1/4 da população do bairro onde eu morava em Sampa, o saudoso Butantã. Então imagina eu, nascida e crescida numa cidade de mais de 13 milHÕES de pessoas, que passava férias no Riiio (#errejota para paulistanos), sem absolutamente NENHUMA experiência de vida pacata no interior, viver num lugar assim???
Medooooo!!! M-E-D-O. Do quê? Do tédio. Do marasmo. Da não adaptação.
Minhas perguntas eram: mas tem cinema? Tem restaurante? Tem mercado, loja?
E sabe o que eu descobri quando cheguei aqui, miagente??? Que eu tô no centro de tudo e ninguém me avisou!!! Se ligaaaaa:
  • Capital do Mundo (New York) – 1 hora
  • Berço da América e um puta centro de arte (Philadelphia) – 45 minutos
  • Praia (lembra dos babados de Jersey Shore da MTV???) – 30 minutos
  • Estação de ski – 2 horas
  • Capital dos States (Washington DC) – 3 horas
  • Outro país foda (Canadá) – 8 horas
  • Cassinos e jogatinas da boa (Atlantic City) – 1 hora e meia
  • Outlet com tudo que é marca boa e mais um pouco (daqueles Premium) – 16 minutos
  • Parque de diversão (simplesmente o Six Flags, meu bem) – 18 minutos de acordo com o Waze.
  • Cinema com todas as poltronas que deitam sem ter que pagar um dólar a mais por isso – 15 minutos
  • Restaurantes, mercados gigantes, lojas e a porra toda – 7 minutos contados no relógio.
E aí comecei a fazer um simples comparativo com os meus tempos de carro no Brasa… saca só:
Trabalho:
  • Dias normais – 50 minutos
  • Sexta-feira – 1 hora e 10 minutos
  • Sexta-feira com chuva – 2 horas
  • Sexta-feira com chuva em dezembro – esquece, é melhor fingir conjuntivite e faltar no trabalho.
Praia:
  • Praia ok: 1 hora
  • Praia boa: 3 horas
  • Praia no feriado prolongado – esquece, é melhor ficar em casa vendo Netflix.
Tudo isso pra dizer: tô ganhando tempo na vida e esse medo do tédio acabou se tornando outro medo – o tal do F.O.M.O. (Fear of missing out)! Aquele medo de estar perdendo alguma coisa, porque tem tanta coisa rolando por aqui, que eu não dou conta. E nem minha conta (a bancária), dá conta.
Então, pra finalizar essa primeira reflexão sobre a América, sobre essa vida nova e sobre esse lance de medo, segue agora o TOP 10 dos meus mais novos medos da vida (porque eu sou corajosa, mas também sou cagona, saca?):
  1. Medo de furacão. (Até agora a desgraça não chegou perto, mais vai que chega…)
  2. Medo de ficar doente. E ter que vender meu carro, meu marido, meu rim e meu corpitcho para pagar a conta do hospital.
  3. Medo de atirador de escola. Pavor, pavor, pavor!
  4. Medo do frio que vem por aí. Acho que nada na vida me preparou pra isso.
  5. Medo de ficar tão gorda e sedentária que eu precise usar aqueles carrinhos elétricos no Walmart. (Exageros à parte, é difícil demais controlar a boca aqui…)
  6. Medo de atropelar um veado na estrada. Eles são Kamikase, juro…
  7. Medo da minha cachorra comer um cogumelo venenoso. (Esses troços brotam no meu quintal de um dia pro outro e ficam do tamanho de uma bola de futebol, é surreal.)
  8. Medo do Trump se reeleger.
  9. Medo do dólar explodir.
  10. Medo de mim mesma na Black Friday.

Tem mais… mas é melhor parar por aí. Então, como diria o Pernalonga (porque eu nunca ouvi alguém aqui falar isso): “That’s all, folks!”. Por enquanto é isso, em breve tem mais um capítulo dessa minha saga em terras estrangeiras…

“See you later, alligator.”
(Também nunca ouvi falarem essa parada aqui).

Escrito por

Oi! Sou Ana Ferrari.  Produtora de eventos, de filha bonita, de situações ridículas e de trapalhadas aleatórias. Especialista em perder coisas, fazer besteira, viver a vida e dar risada de si mesma.  PHD em crises existenciais que chegam antes dos 40 anos. Paulistana convicta com coração carioca. Leonina até dizer chega. Nem de direita, nem de esquerda. Interessada em igreja, centro, templo e terreiro. Experiente no luxo, no lixo e na luxúria, com vivência no erudito e no popular. Praticante de artes marciais, degustações de café, vinho e seriados. Aprendiz de escritora, de viajante e de violonista. E agora, de blogueira. ​ Pode isso, produção???

2 comentários em “Living the American Dream

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