Meu caminho – diário de bordo. O início do início.

Vou pedir permissão pra deixar a sacanagem um pouquinho de lado e viver AND compartilhar uma experiência com a qual eu venho sonhando há quase um ano. Meu caminho, minha peregrinação, minha aventura pra Santiago de Compostela.

Eu já até escrevi aqui um texto sobre isso, sobre quando eu achei que estava recebendo o tal do “chamado”. Contei também como de repente vários “sinais” começaram a pipocar mostrando que era a hora de eu percorrer essa trilha. Eram filmes, livros, conversas, encontros, tudo que me levava a ter esse pensamento de que eu deveria percorrer essa jornada.

De lá pra cá essa vontade só se fortaleceu e eu já me imaginei nesse caminho inúmeras vezes… Era só tocar uma música do Eddie Vedder, trilha sonora daquele filme foda “Into the Wild” (Natureza Selvagem), que eu já me imaginava sozinha no meio de uma paisagem dos sonhos, com uma mochila gigante nas costas e uma plenitude nunca antes vivida na história deste país. E eu sentia tudo aquilo. Sentia até o vento. E chorava. Chorava. Sim, porque drama aqui nunca faltou.

E no meio desse tempo a vida foi ficando dura, cinza, e eu tinha vontade de largar tudo e ir pra lá, tentar encontrar paz ou encontrar respostas ou simplesmente me encontrar. E nos últimos meses a vida foi ficando novamente linda, colorida e eu continuei com vontade de largar tudo e correr pra lá, pra continuar na paz e agradecer loucamente essa grande felicidade. Seja como for, todos os caminhos me levavam para esse caminho.

E daí que veio ainda uma surpresinha daquelas: PAH! Mamãe, estou ligeiramente grávida! E o que poderia impedir a viagem, na verdade, acabou sendo um estímulo pra dar uma adiantada em tudo, pra que eu fosse num período em que já tivesse menos risco para o baby e ao mesmo tempo num momento em que o peso do barriga ainda não fosse maior que o peso da mochila. C-l-a-r-o que o mundo foi contra, a família foi contra, o médico foi contra, mas eu carrego comigo desde que nasci um troço que chama ansiedade (nível hard) e que é um lance muito difícil de administrar… Então eu me perguntei: pra quê esperar, não é mesmo??? Bora se jogar! Bora fazer uma parte do caminho português e percorrer duzentos quilômetros com minha bota incrível e carérrima, que eu dividi em muitas parcelas sem juros no cartão.

Óbvio que eu sou louca, mas não sou desavisada! Por conta da situação, o cenário do sonho mudou um pouquinho e eu não vou mais sozinha, vou com marido/enfermeiro/carregadordemalas/massagista, e vou com um plano de caminhada, digamos assim, mais comedido. Aliás, não temos apenas um plano, temos três planos, porque aqui tem loucura, tem produção, mas também tem planejamento!

1. Plano A (no caso de tudo ocorrer lindamente…):

Começar na cidade de Barcelos e fazer cerca de 20km por dia em dez dias, até chegar em Santiago de Compostela, receber minha compostelana* e brilhar e rezar e chorar de emoção!

2. Plano B (no caso de não conseguir aguentar andar tanto ou conta de tempestades com raios):

Pular praticamente toda a parte portuguesa (o que não faz muito sentido porque o caminho é português… dãaaah) e começar na fronteira da Espanha e caminhar como uma tartaruga, poucos quilômetros por dia, até um dia conseguir chegar. E ainda assim conseguir minha compostelana* e brilhar e chorar e gritar.

3. Plano C (no caso de dores insuportáveis ou terremotos):

Desencanar da peregrinação e curtir a Europa lindamente com uma taça de vinho na mão e voltar pra casa sem a compostelana* mas cheia de compras! O que não chega a ser um plano ruim, não é mesmo, miagente???

Mas vamos seguindo com o Plano A, porque o santo vai ajudar (dá uma força aí, Santiago), o bebê vai se amarrar e a trilha do Eddie Vedder já está preparadinha no Spotify, pronta pra tocar.

A mala tá pronta também! E só isso já foi uma aventura… mas conto sobre isso e ainda mais detalhes depois! Hasta luego!


P.S 1: Sobre o Caminho de Santiago em poucas linhas…

É um caminho milenar, feito por peregrinos do mundo inteiro desde o século IX, que leva até a Catedral de Santiago de Compostela na Espanha, lugar em que supostamente estão enterrados os restos mortais de Tiago, um dos principais apóstolos de Jesus. A história é linda, vale um google ou um outro post! Dizem que esse caminho tem uma energia fora do comum e transforma vidas…. ele já inspirou muito livro e muito filme por aí (tipo Diário de um Mago, do Paulo Coelho, saca?).

São vários caminhos, vindos de toda a Europa, que vão se encontrando…. Você pode começar em qualquer lugar, mas para que você seja considerado de verdade um peregrino e receba sua “compostelana” (*que é um documento dado pela igreja, como um diploma), você precisa comprovar sua jornada de pelo menos 100km a pé, ou 200km de bike ou cavalo. Cada vez mais gente faz, e lá vou eu engrossar a estatística.

P.S 2: sim, é uma viagem com missão espiritual, turística e aventureira, mas já que o maridão vai junto, e faz anos que não viajamos sozinhos… acho que podemos sim ter um espaço pra outra coisa nessa história, afinal de contas a gente não vive sem essa tal de sacanagem, né, não? (oh meu Deus, será que eu guento???)

Escrito por

Oi! Sou Ana Ferrari.  Produtora de eventos, de filha bonita, de situações ridículas e de trapalhadas aleatórias. Especialista em perder coisas, fazer besteira, viver a vida e dar risada de si mesma.  PHD em crises existenciais que chegam antes dos 40 anos. Paulistana convicta com coração carioca. Leonina até dizer chega. Nem de direita, nem de esquerda. Interessada em igreja, centro, templo e terreiro. Experiente no luxo, no lixo e na luxúria, com vivência no erudito e no popular. Praticante de artes marciais, degustações de café, vinho e seriados. Aprendiz de escritora, de viajante e de violonista. E agora, de blogueira. ​ Pode isso, produção???

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