Meu nome é Ana Ferrari e aqui não tem só produção

Não , definitivamente aqui não tem só produção. Ser produtora foi apenas uma paixão transformada em trabalho. Ou um trabalho que virou paixão – não sei bem a ordem. Claro que teve vezes que eu achei que não saberia fazer outra coisa na vida, mas eu sempre tive certeza que eu sou muito mais do que minha profissão. Confuso, né?
Mas o fato é que não é o meu trabalho que me define e ultimamente muitas coisas estão me fazendo pensar nisso, em quem eu sou de verdade, qual meu propósito de vida, o que (e quem) eu quero e o que (e quem) eu não quero pra mim.

Primeiro motivo de eu pensar tanto em tudo isso foi porque rolou uma conjunção astral mucho loca, juntamente com um golpe surreal do destino e mais uma ajudinha do meu anjo da guarda, e em menos de três meses minha vida mudou completamente. E mudou várias vezes, até que achou o caminho certo.
Basicamente, nesses noventa dias, eu: vendi meu apê, pedi demissão, fui acampar e me enterrar na natureza, fui pro México vivir la vida, voltei temporariamente pra casa dos meus pais (juntamente com quatrocentas caixas de mudança e mais a família), resolvi antecipar minha peregrinação para Santiago de Compostela para me encontrar (ou desencontrar) e comprei a passagem aérea para em março dizer “Bye, bye, Brazil, see you soon”, sem saber o que vai me esperar por lá, do outro lado da linha do Equador. Puta reviravolta maluca, né?

Bom, eu não sei exatamente onde vou morar, nem no que vou trabalhar, mas o que eu sei é que eu tenho pela frente centenas de páginas em branco para eu escrever como eu quiser este ano. E eu estou completamente feliz, com o melhor frio na barriga do mundo. O fato é que se antes, na maior parte do tempo, eu me apresentava assim: “oi, sou Ana Ferrari, produtora ”, agora eu vou dizer apenas “Hi, I’m Ana Ferrari, nice to meet you”.
Apenas eu, sem nenhuma definição, um ser em constante construção.

O segundo motivo de eu pensar tanto no que definitivamente eu sou, é que no terremoto pessoal que sofri no final de 2017, acabei ouvindo (indiretamente, claro) algumas coisas ruins, algumas críticas “construtivas” de quem nunca construiu nada, uma dose enorme de fofocas e tudo mais que faz parte desse mundo estranho que a gente vive, onde as pessoas se preocupam constantemente com a vida do outro. Nada de novidade até aí, porque a gente convive com isso desde que nasceu, não é mesmo? Acontece que chegou ao meu ouvido, que uma pessoa que eu mal conheço falou a seguinte frase:
“Olha as coisas que ela escreve naquele blog! Um dia a filha dela vai ler isso tudo aí e o que ela vai pensar???? Ela vai ter vergonha da mãe dela! Ela não é referência pra filha dela!”.

Minha primeira reação foi:
“HAHAHAHAHAHAHAHA”

Minha segunda reação foi:
“Sério???? Gente, que dó. Como pode existir no século 21 um machismo desse???”

Minha terceira reação foi:
“Que filho da put@@@@@@@! Quem ele pensa que é pra falar isso da minha filha”???

É miagente, ele mexeu com uma mãe leonina! E isso é algo que não é muito aconselhável…. não recomendo. Eu virei uma fera, remoendo essas palavras dentro de mim, louca pra explodir e tirar satisfação.
Porém Deus sabe o que faz, e eu tenho o um ascendente em libra, bem político, que equilibra as coisas e que me torna praticamente uma diplomata. Portanto não quis essa energia pra mim, e não quis entrar na “vibe” da resposta, saca? Maaaasssss, pensei muito (e teatralizei diversas vezes na minha cabeça – oh God, porque eu não virei atriz?), numa possível resposta de que tipo de referência eu posso ser pra alguém. Então aí vai a “respostchenha” pra eu não ficar com isso dentro de mim, porque dizem que dá câncer. Então segura que vem mais textão:

Eu sou muuuito do bem. Sou sensível, me emociono sempre e com tudo, sou apaixonada pela vida, pela natureza, pelas descobertas, pelo mundo. Sou extremamente grata a tudo que tenho e sou. Nunca maltratei ninguém. Posso jantar com um presidente de empresa, um prefeito ou um artista da mesma maneira que sento na mesa do pessoal da limpeza comendo marmita, porque trato bem e respeito qualquer pessoa. Nunca passei por cima de alguém pra conseguir o que queria. E quase sempre consegui o que queria, mas sempre com educação e charme, nunca na base do grito. Construí uma carreira, fiz coisas extremamente relevantes das quais me orgulho muito. Caí algumas vezes, mas me levantei em todas. Já magoei pessoas que amei, mas eu amei demais. Tudo. Com intensidade. Errei sim, mas pedi desculpas e paguei as consequências de cabeça erguida sempre. Mas acertei muuuuito mais do que errei. Viajei. Me arrisquei. Vivi. Nunca fumei um cigarro, tentei (sem êxito) fumar maconha, mas o lance é que não preciso de nada pra me dar alegria, porque ela vive sempre dentro de mim. Mas óbvio que tomei sim, alguns bons e vergonhosos porres, que me deram histórias incríveis pra contar, porque eu não sou obrigada. Aprendi a não julgar ninguém, mas julgo sim quem julga os outros. Cresci rodeada de amor e eu sou só amor com tudo que me rodeia. Principalmente com ela: minha filha.

E minha filha? Bom, ela tem oito anos e tem a risada mais gostosa desse mundo. E eu ouço essa risada diariamente porque ela é absurdamente feliz. Ela defende os mais fracos e vive dizendo que se fosse presidente teria bons planos pra que ninguém fosse pobre ou passasse fome. É preocupadíssima com o meio ambiente e com os animais. Ela se joga em qualquer aventura, tem paixão pelo mundo. Ela se diverte na Disney, mas também no Museu do Louvre, ou em Inhotim, ou numa barraca de camping alagada. Ela me pede pra repetir infinitas vezes a história da Frida Kahlo, dos maias e dos astecas. Ela quer conhecer o Peru e o Japão assim que puder. Ela acha absurdamente normal um homem namorando outro homem ou uma mulher beijando a outra. Ela me abraça quando estou triste, entende quando não dá pra ter tudo e gosta de doar roupas e brinquedos pra fazer outras crianças felizes. Resumindo, ela dá um banho em muito adulto por aí e me enche de orgulho todo dia.

Trocando em miúdos: eu sou uma referência do caralh@, my friend, e em pouco tempo como mãe eu já ajudei a construir um caráter de um ser-humano fantástico. E sem falsa modéstia, eu posso acrescentar aqui: eu realmente não sou só produtora, também sou um mulherão da porra, como tantas que eu já escrevi aqui e como milhares de outras que existem por aí.

E pra terminar esse texto infinito (que provavelmente só minha mãe terá paciência de ler até o fim), eu me apresento a vocês, sem medo da exposição, ou das críticas, da forma que eu sou, plena*, em carne (até demais), osso e grandes coxas.

“Hi, I’m Ana Ferrari, nice to meet you.”

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P.s 1: fotos tiradas pelo maridão Ricardo Ferrari @ricaferrari. Sim, eu achei que ia rolar muito clima e pouca foto, mas o bicho foi muito profissional e não caiu no meu charme durante o ensaio (culpa de quinze anos de intimidade, uma merda).
Mas sim, teve vinho e final feliz.

P.S 2: * Quando eu disse plena é porque eu estou muito plena meeeixxsmo. Plenamente grávida. Essas fotos escondiam uma senhora pança que já estava se “amostranu” bem redonda com apenas dois meses de gravidez.
Mais um acontecimento surpreendente dos últimos meses and… Ooopsy, acho que vou ser uma ótima referência pra mais uma pessoa nessa vida, hein? 😜 See you!

P.S 3: Camiseta linda “Pode isso, produção?” @npnlifestyle feita especialmente pro blog. Brigadúuu!

Escrito por

Oi! Sou Ana Ferrari.  Produtora de eventos, de filha bonita, de situações ridículas e de trapalhadas aleatórias. Especialista em perder coisas, fazer besteira, viver a vida e dar risada de si mesma.  PHD em crises existenciais que chegam antes dos 40 anos. Paulistana convicta com coração carioca. Leonina até dizer chega. Nem de direita, nem de esquerda. Interessada em igreja, centro, templo e terreiro. Experiente no luxo, no lixo e na luxúria, com vivência no erudito e no popular. Praticante de artes marciais, degustações de café, vinho e seriados. Aprendiz de escritora, de viajante e de violonista. E agora, de blogueira. ​ Pode isso, produção???

16 comentários em “Meu nome é Ana Ferrari e aqui não tem só produção

  1. Amei, Amei, Amei… Parabéns pelo texto, parabéns pelo desabafo, parabéns pela gravidez… Sempre admirei muito você… E vc tem a coragem que muitas gostariam de ter e as vezes isso incomoda… Se joga no mundo, te desejo muita sorte e saiba sempre que você, desculpe-me o português, você é Fo…!!! 👏👏👏👏🙏🙌❤️😘

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  2. Posso falar???? Kkkk na verdade não sei o que dizer, estou sem fôlego depois texto. E não por sua extensão (é uma delícia ler o que vc escreve), mas como mãe e por conhecer um pouquinho a Marina imaginar como vc se sentiu com tudo isso. Muitas pessoas se questionam se querem ou não ter filhos, e deveriam mesmo, porque é uma responsabilidade insana!!!!! Porém, mas insano do que isso, é ver o resultado incrivelmente positivo de tanto amor e dedicação, e essa sensação, ahhhhh, não “barato” que supere… Já nas notas, nos 45 do segundo tempo, mais essa notícia maravilhosa!!!!! Que vcs sejam mais felizes ainda e que esse bebê tenha a certeza que fará parte de uma família 100%!!!!! Beijos para vcs!

    Curtido por 1 pessoa

    1. Fabi, sua lindaaaa! Obrigada por tudo! É bem isso mesmo, uma felicidade e uma responsabilidade gigante! E lá vem outro aí… kkkk
      Obrigada mesmo por tudo, to chorando com essas mensagens lindas. Beijo enorme na sua família incrível. 😘😘😘

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  3. Eu tô num mixed feelings louco depois de ler seu texto. Não que eu tenha sido surpreendida com essa descrição (mais fiel impossível), porquê conheço muito dessas facetas e dessa capacidade de ser tão única e tão especial.
    Bom, o mixed feelings…ele vem do orgulho danado de ver vc em busca do que realmente importa nessa vida de uma forma tão viva, tão alegre, tão solta. Um orgulho dessa sua coragem de dar um foda-se para um babaca que não te conhece é que não tem a mínima ideia do que é ter ou ser referência nessa vida. Mais ainda, de dar um foda-se para esse bando de convenção babaca e de perseguir o que realmente importa…a felicidade é o amor.
    Amiga amada, como eu te admiro. Como eu te admiro.
    Obrigada por esse texto.
    Obrigada por ser você, do jeito maluco, único, intenso, verdadeiro é lindo de ser.
    Obrigada por fazer parte da minha vida.
    Obrigada por ser uma referência para mim.
    Te amo.

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  4. Vc é linda por fora e por dentro! Cliche sim, mas verdade verdadeira seja dita dessa Miss beleza interior e exterior!!!
    Orgulho amiga
    Vc e sua linda família vão continuar sendo felizes por onde quer que andarem ❤

    Curtido por 1 pessoa

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