Meu nome é Rachel e aqui não tem só produção.

Esse blog começou por diversão, afinal de contas se não for para se divertir nem vale a pena tentar. Começou simplesmente quando do nada eu passei a achar legal escrever, coisa que eu não fazia desde a época das redações da escola.  Era um post aqui e ali no Facebook, a reação dos amigos era bacana, e eu fui me empolgando e a ideia começou a tomar corpo… E então decidir escrever mais… E então decidi ter um blog… (Será que é ultrapassado? Será que alguém vai ler essa porra? – Foooooda-se!).

Mas ter um blog e escrever sobre o quê? Meu Deus do céu, o que eu posso ter a dizer que seja interessante pra contar??? Nada, eu pensei. Talvez meu trabalho seja interessante e divertido. Essa coisa de artista, do showbiz, de improviso, de se virar nos trinta pode render um caldo…

Então o esboço, a ideia, no início, era falar bastante sobre essa vida louca de produção de eventos, contar “causos” e aventuras desse trampo insano.  Acontece que, cada vez mais, tudo que rolava na minha vida ou ao meu redor, me dava vontade de contar e as palavras já iam surgindo em forma de frases na minha cabeça. E apesar de trabalhar loucamente, descobri que minha vida está longe de ser o meu trabalho! – obrigada, Senhor, porque essa descoberta é mágica – Eu vivo muito mais além, tenho muito mais a dizer, mesmo que seja puramente irrelevante. E foi então que, seis meses depois, posso dizer que virei uma contadora de histórias cotidianas, picantes, bem-humoradas e dramáticas e estou muito feliz com isso, obrigada. E de vez em quando ainda passo aqui um pouco do orgulho da minha profissão (quando eu estou de bem com ela, claro, o que não é sempre – é uma relação de amor e ódio, saca?).

Mas o que veio de brinde nessa minha relação de amor com a escrita, foi uma troca inesperada com um monte de gente bacana. Bota gente legal nisso! Gente até que eu nunca vi, mas que a gente se sente íntima, porque quando vê já está falando besteira, como se tivesse com um amigo num boteco tomando cerveja.

E tenho conhecido mulheres espetaculares. Fortes. Com mente aberta. Bem resolvidas. Mulheres que não têm medo de ser quem são, de se conhecer, de se expor. Daquelas que deixa qualquer “pomba-gira”* orgulhosa, sabe? E isso é um presente. É um presente saber que tem um monte de mulher assim no mundo, mostrando o dedo do meio para esse machismo tão presente por aí… presente em homens, mulheres, amigos… (tão perto da gente, como pode, né?).

Pensando nisso e dando de cara com fotos maravilhosas de uma amiga produtora no Instagram, eu resolvi unir o útil ao agradável. Resolvi contar histórias de mulheres lindas, diferentes uma da outra, mas igualmente empoderadas e que, ainda por cima, compartilham comigo esse mundo louco de produção. Porque elas representam bem tudo o que eu acredito e o que eu gosto de escrever por aqui: sensualidade, alegria, trabalho, liberdade, coragem e leveza.

E é por isso que eu começo mostrando aqui, a pessoa que inspirou essa ideia: Rachel.


Trabalhei com Rachel poucos meses numa agência. A gente nem trabalhava junto, na verdade… cada uma era produtora de um núcleo e a gente trocava pouquíssima figurinha. A impressão que eu tinha dela era: alta e magra (uma combinação que já causa meio ódio nas pessoas, confesso que às vezes em mim também), sempre se vestindo bem (de novo: qualquer coisa fica bem em quem é alta e magra, cacete!) e meio séria. Uma impressão bem superficial, mas ainda assim uma impressão de poder, saca? Mas foi num trabalho em pleno alto-mar, num evento produzido num navio, que a gente se conheceu um pouco melhor. Foi lá que ela ganhou meu coração e meu respeito.

E quando ela fez esse ensaio lindo e me contou como foi, ela ganhou ainda minha admiração e a certeza que poder realmente sobra por ali. Não só pela beleza, mas por tudo que me contou.

Palavras dela, todas dela!

“Meu padrasto é fotógrafo e passou a vida fotografando mulheres lindas e grandes modelos. Mas como santo de casa não faz milagre, ele nunca me viu com olhos de fotógrafo e sim de pai. Sempre quis um ensaio pra chamar de meu e cheguei na vida adulta decidida a fazê-lo.

Quando me separei decidi que era o momento, pois depois de dez anos de casada, a gente já não se conhece mais. Convidei um amigo pra fazer as fotos comigo, e ele topou!

Amei ser fotografada! Amei ser vista! Fiquei mais segura de mim mesma, me achei linda do jeito que sou, sem retoques, sem plástica, sem pudor.”

Maravilhoso, né? E quando eu comentei que também queria muito fazer um ensaio fotográfico meu mas queria emagrecer um pouquinho, levei uma bronca de respeito, com uma surra de autoestima:

“Fico chateada quando alguém, como você mesma disse, fala que precisa emagrecer ou mudar alguma coisa. Não tem nada! Faça hoje, faça daqui a um mês com dez quilos a menos, faça daqui a vinte meses com vinte quilos a mais. O resultado das fotos é melhor que sexo, que academia, que chocolate. Enche a nossa alma de prazer e nosso espírito de coragem”.

Tem alguma coisa a dizer depois disso??? Talvez eu questionaria se o resultado é mais gostoso que sexo e chocolate (melhor que os dois juntos jamais!), mas só pelo prazer de ser polêmica….

Obrigada Rachel por essas fotos maravilhosas, por essa lição toda, e pela confiança. Eu saí do nosso papo muito cheia de coragem e aceitação. Se mais alguém se sentir assim, já valeu muito a pena qualquer exposição.

E enquanto Rachel segue plena e empoderada (a palavra que continua sendo “a da vez” depois de tanto tempo e que não vai sair de moda tão cedo), a gente segue procurando gente bacana para produzir foto, texto, arte, evento, e qualquer outra coisa que seja divertido e que nos faça feliz. Pode isso, produção???

Pode, sempre pode.

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Fotos maravilhooosas tiradas por Lu Costa! @LUCOSTA_PHOTOGRAPHER


*Pomba gira –  entidade da umbanda que construiu um arquétipo de mulher liberada, exibicionista, provocante, e livre das convenções sociais. A pomba gira é um espírito da luxúria, sendo que todos os prazeres desse mundo lhes são agradáveis. – Pomba, querida, tamo junto!

Escrito por

Oi! Sou Ana Ferrari.  Produtora de eventos, de filha bonita, de situações ridículas e de trapalhadas aleatórias. Especialista em perder coisas, fazer besteira, viver a vida e dar risada de si mesma.  PHD em crises existenciais que chegam antes dos 40 anos. Paulistana convicta com coração carioca. Leonina até dizer chega. Nem de direita, nem de esquerda. Interessada em igreja, centro, templo e terreiro. Experiente no luxo, no lixo e na luxúria, com vivência no erudito e no popular. Praticante de artes marciais, degustações de café, vinho e seriados. Aprendiz de escritora, de viajante e de violonista. E agora, de blogueira. ​ Pode isso, produção???

2 comentários em “Meu nome é Rachel e aqui não tem só produção.

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