A primeira massagem tântrica a gente nunca esquece.

Prepare-se para um textão daqueles, cheio de superlativos, exclamações, palavrões, interjeições e tudo mais. Porque o lance foi muito, muito, muito intensoooo!

Vou falar aqui da minha primeira massagem tântrica da vida. Sim, porque isso merece um texto, miagente!

Vamos começar pelo começo…

Quando eu escrevi aquele texto chamado Happy End, falando sobre a massagem tailandesa, recebi algumas mensagens dizendo que o tantra é algo incrível, uma sensação única e que eu tinha que experimentar. Desde então aquilo ficou na minha cabeça. Mas eu pesquisava e via que a parada era cara e eu ficava adiando. Sempre tinha alguma coisa que eu precisava comprar ou precisava pagar e isso ficava em segundo plano. Até que numa segunda-feira, sem compromisso, com a depilação em dia e com salário na conta eu pensei: é hoje que eu faço esse trem! E lá fui eu ligar.

E eu fiquei com vergonha já no telefone:

“Boa tarde, eu gostaria de agendar uma… é… aaah… umaaaa… massagem tântrica”.

“Pra quando”?

“Pra hoje”!

“Homem ou mulher”?

“Éeeee… hummmm… homem, eu acho.” Juro que eu estava vermelha só na ligação.

“Ok, vou ver qual terapeuta está disponível e te confirmo”.

Nisso, eu já estava lá no site, olhando as fotos de todos os caras e torcendo muito para ser alguns e torcendo mais ainda para não ser outros… era tipo um Tinder de terapeuta, saca? E eu louca por um “match”.

E foi então que recebi a confirmação do nome e do horário. Procurei loucamente na internet a foto do cara, e… bom, vamos dizer que ok…. parecia um daqueles hippies que vendem miçanga na praia, mas não daqueles sujos, sabe? Dos limpinhos…. e em comum com os artesãos, temos uma boa dose aí de trabalho manual, se é que vocês me entendem…

E sobre horário, posso dizer que foram três longas horas de espera entre a saída do trabalho e a possibilidade de experimentar uma coisa nova, o que por si só, eu já acho absurdamente excitante, seja lá o que for. Eu nem pesquisei muito, porque eu não queria estar com absolutamente nenhuma expectativa, rótulo, preconceito ou medo. Eu queria me entregar ao novo, só isso.

Chegando lá, conheci o meu terapeuta e uma outra terapeuta, e ambos conversaram muito comigo, me explicaram tudo como funcionava e me deram a palavra de ordem: relaxe… apenas relaxe… e junto com esse convite me entregaram um roupão e uma toalha. E lá fui eu tomar um banho, lavar tudo direitinho e ficar no jeito.

Música incrível, meia-luz, aquecedor ligado, futon fofinho e roupão “na chón”.  Lá estava eu, “A Peladona do Jardim Paulista”, deitada de barriga pra cima, pentelhos aparados ao vento, pronta pra receber a tal da massagem tântrica!

Primeiro de tudo vem um trabalho de respiração. Forte. Rápida. Aqueceu tudo. Eita, que parecia até que eu já tinha acabado de transar de tão acelerado que ficou.

Com a voz ele me dava os comandos: respiração, frequência, intensidade, posição, emissão de som…. E foi então que os toques mais sutis sentidos na vida começaram. Tão de leves que quase não encostavam. Muitos. Em todos os lugares.

Perna. Barriga. Rosto. Couro cabeludo. Braço. Joelho. Bunda. Costas. Suvaco.

Pausa para dizer que fui ao delírio com um toque no suvaco, acreditem se quiserem.

E o toque no rosto me fez sentir acolhida e desejada. E o toque na cabeça arrepiou uspelotudo! Eu perdi a noção da hora ali…. pode ter sido uns 30, 40, 50 minutos só nisso, não sei… os olhos estavam completamente fechados e eu completamente entregue às sensações. Não pensava em nada, só sentia. E sentia que poderia ficar ali por horas. Justo eu, a rainha da ansiedade.

Mas sim, eu estava ansiosa para a tal da massagem na Yoni.


Corta para a explicação tântrica –  Yoni é a vagina. Ponto.

Corta para a minha amiga ouvindo a minha história de massagem: “Ioneeeeee???? Tipo Ione da Silva??? Tipo perseguida é Ione e pinto é Cléber?” E a partir daí muitas histórias fictícias surgiram falando de quando a Ione encontra o Cléber e vice-versa…. E um Cléber nunca mais será só um Cléber pra mim, do mesmo jeito que o Bráulio virou muito mais do que um nome esquisito. E a Ione? Bom, já falei que a minha chama Tieta…


Voltando….

Sim, eu estava completamente entregue àquele momento e preparada para o que estava por vir…  Aquela pausa momentânea nos toques, aquele silêncio e um pequeno barulho de colocar de luvas e gel nas mãos já dava a pista do que estava por vir…

Uma mão no meu pé direito o afastou um pouco. Uma mão no pé esquerdo, e mais uma afastadinha. E então minhas pernas pareciam um lance de seno e cosseno, cateto oposto e adjacente formando um ângulo notável de 45 graus e deixando a minha hipotenusa completamente exposta ali. Ai minha hipotenusa… (gente, são só metáforas matemáticas e geométricas que não devem fazer sentido algum, até porque eu acho que nunca entendi isso direito na escola, mas eu só queria dar uma floreada no texto e dar uma ênfase nessa angulação e nesse momento sublime).

Gel quente nas mãos do rapaz e ele começou pela virilha… Aaaaaaai… só aí já foi bom. Depois foi pra partezinha fofa, a ondinha marota, o nosso queridíssimo capô de Fusca. Sensacional. Seu terapeuta, por favor… mais pra baixo agora…

E ele foi… e ele foooooooooi…. ele foi para lugares nunca dantes navegados. Ele parecia um espeleólogo explorando a Caverna do Dragão. Uniiiiiiiiiiiiiiii!* (quem lembra?)

E cada ponto que ele achava na exploração, cada vez que ele sentia que meu corpo reagia a um estímulo, ele começava na função do manuseio. MEODEOS!!! Era uma loucura. Pensa na agilidade do Slash tocando a introdução de Sweet Child O´Mine**… coitado do Slash… sabe nada, inocente.

Eu só sei que ele achou coisas ali em todas as cavidades e relevos, em clitóris, pequenos, médios, grandes lábios e afins. E eu simplesmente gozava. Muito. Sem parar.

E se eu gozasse em forma de “ai”, ele dizia pra soltar o som porque “ai” é dor… e falava: “tá doendo?”, e eu com um sorriso mais largo que do Coringa dizia: “nãaaaaaaaao!” E riaaaaa… e me contorcia… e gemia… e apertava aquele futon até a minha tendinite gritar.

E ele falava: “solta tudo, aqui é seu espaço de liberdade, de expressão”… gente, eu estava quase perguntando se já tinha passado das 22h, porque a gente poderia ter um problema com a Lei do Psiu*** ali…

Sério, foi algo tão louco, tão louco que quando eu vi meu corpo inteiro estava com espasmos. Minha perna pulava, era quase um ataque epilético. Era tão forte a parada que chegava a dar agonia, e você fica na dúvida se fala “Para” ou se fala “Não ouse parar, seu fdp!!!”.

E então depois de muita tortura (da melhor tortura que existe), enfim o terapeuta parou. E daí veio aquela sensação de alívio.

Foi quando ele falou: “eu vou pegar o vibrador agora, tá?”

WHAAAAAAAAAAAAAAT?????

Vai meu, filho, pegue. O que mais pode acontecer, não é mesmo?

E foi então que ele I-N-T-R-O-D-U-Z-I-U a parada! Oh my God! Oh my God! Muito prazer, Ponto G! Ponto P! Ponto X, Y, Z!!!  eu comecei a enlouquecer, achei que ia desmaiar, e o louco ainda fala: respira e sustenta… sustenta… você consegue… você merece…

MANOOOOOO DO CÉEEEEEEEEU!

Plaquinhas de aplausos levantadas…. Por favor, alguém esculpe um busto em homenagem a esse moço porque ele está de parabéns.

Eu gozei rindo, gozei chorando, gemendo alto, gemendo baixo… foi uma explosão de cores e sensações.

E acabou. Umas duas horas depois, acabou. E ele me deixou lá, ouvindo Gilberto Gil e curtindo meu momento de prazer, relaxamento e exaustão.

Foi sim, uma experiência única. Mas que não será única porque pretendemos voltar já que não somos burras, não é?

Viva o Tantra, miagenteeee! Eita, gente sábia! Próximo passo: massagem tântrica a quatro mãos. Será que eu guento??? Outro próximo passo: curso de massagem tântrica. Afinal, a gente não quer somente que mexam na nossa Ione, a gente também está a fim de mexer no Cléber. E se tornar inesquecível. Deixar uma lembrança, um legado na vida de outro alguém. Pois não é essa a intenção da vida?


Ok, ok, piadinhas à parte, vamos à algumas explicações…

Apesar de todos esses gozos, acredite se quiser, a experiência não é profundamente erótica. Nada erótica, na verdade. O erotismo está na nossa cabeça. Eu, por exemplo, não tive vontade nenhuma de abrir os olhos, estabelecer qualquer tipo de contato ou de troca com o terapeuta, pegar nele, agarrar ele… nada disso. Eu não fiquei com vontade de transar (não naquela hora, mas imediatamente após sim… rsss). Eu não fiquei depois pensando nisso para me excitar… nada disso! Eu fiquei vidrada na sensação de receber tudo aquilo, todas as informações, energias e estímulos em pontos do meu corpo que eu nem sabia que existia. Era um lance completamente receptivo, como qualquer outra massagem. E como qualquer outra massagem, você relaxa por uma ou duas horas e faz alguma coisa especial por você. Você não está conectado, você não está preocupado, você está simplesmente sentindo e se conhecendo, e isso já é o bastante para ser incrível. Mas pode ser mágico. Pelo menos comigo foi. Valeu cada centavo e acho que todo mundo deve conhecer, porque um mundo novo se abre (além das suas pernas).

Ah, uma coisa muito legal que o terapeuta falou é que a mulher é sempre tolhida de tanta coisa, tão reprimida de tantas formas. E ali é o momento em que não se reprime nada, em que a mulher pode ser o que ela quiser, sem julgamentos, sem preconceitos. Tem ou não tem muita beleza nisso?

Quem quiser mais informações, acessa lá, porque o lugar é extremamente sério e idôneo:

http://www.centrometamorfose.com.br/massagem-tantrica


*Caverna do Dragão pra quem tem mais de 35 dispensa apresentações. Pra quem não tem: era O desenho dos anos 80, e tinha um unicórnio que gritava Uniiiiiiii sempre. Parece bobo, mas era incrível. Esse é o Uni:

**Introdução do slash e o dedilhado inacreditável:

***Lei do Psiu: aqui em SP tem. Depois das 22h algumas áreas da cidade precisam baixar os níveis de decibéis pra não gerar reclamação e multa.

Escrito por

Oi! Sou Ana Ferrari.  Produtora de eventos, de filha bonita, de situações ridículas e de trapalhadas aleatórias. Especialista em perder coisas, fazer besteira, viver a vida e dar risada de si mesma.  PHD em crises existenciais que chegam antes dos 40 anos. Paulistana convicta com coração carioca. Leonina até dizer chega. Nem de direita, nem de esquerda. Interessada em igreja, centro, templo e terreiro. Experiente no luxo, no lixo e na luxúria, com vivência no erudito e no popular. Praticante de artes marciais, degustações de café, vinho e seriados. Aprendiz de escritora, de viajante e de violonista. E agora, de blogueira. ​ Pode isso, produção???

2 comentários em “A primeira massagem tântrica a gente nunca esquece.

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