Feliz por vocação

A minha cabeça está um caos. Parece que em uma semana me tiraram o chão, as paredes e tive a impressão que ia perder o teto também. É isso que acontece comigo e com todo mundo quando você toma aquela lambada inesperada da vida. Ou pior, quando essa lambada estava bem na sua cara, mais previsível que Lagoa Azul na Sessão da Tarde, e você simplesmente não deu conta de que isso ia acontecer. Estava lá bem claro, mas tu não enxergou. Foda.

Em dias como esses que passaram, coisas que já são comuns comigo acontecem com mais frequência. Tipo todos esses acontecimentos juntos num prazo de uma semana:

Perder um par de óculos escuros. Ou perder dois pares de óculos escuros. Pesar o prato no restaurante por quilo e deixar o prato na balança e seguir pra mesa só com os talheres. Deixar a bolsa na cadeira do bar e ir embora. Perder o celular no meio do evento. E no mesmo dia perder de novo. E depois deixar o celular no Uber e pedir “peloamordeDeus” pro motorista voltar.

A coisa está tão braba que uma amiga só de olhar a minha cara resolveu me dar um “regalo”: um floral chamado “Rescue”. Daqueles feitos para te resgatar lá do fundo do poço mermo. Mas o punk é que como eu esqueço tudo, eu também esqueço de tomar, é óbvio. E daí não adianta é nada, né?

Esses dias além de eu perder ou esquecer algumas coisas pelo caminho, eu também chorei. Me permiti chorar de todas as formas mais dramáticas. Todas dignas de novela:

Chorei indo trabalhar de bicicleta. O vento ia batendo e levando as lágrimas. Cênico.

Chorei enquanto malhava, no meio do treino. As pessoas acharam possivelmente que meu personal estava me matando.

Chorei no chuveiro da academia. Só não encostei as costas na parede e fui descendo (o que seria infinitamente mais dramático) porque fiquei com um pouquinho de nojinho de uns cabelos aí.

Chorei no bar no maior estilo: “Garçom, aqui, nesta mesa de bar…”

Chorei vendo filme. E chegou uma hora que eu já não sabia se estava chorando pela história do personagem ou pela minha história.

Chorei enquanto estava plena tomando sol na piscina. Suor e lágrima, tudo junto e misturado, tudo salgadinho, fazendo o protetor escorrer.

Chorei no travesseiro. Chorei abraçada com quem eu amo. Chorei alto. Chorei baixinho.

Chorei ouvindo o Maroon 5 no Rock in Rio (metade de tristeza por causa das letras e metade de raiva porque eu queria muito estar lá e não no meu sofá).

Enfim, preciso dizer que chorei. E to chorando de novo agora por causa do puto do Frejat que canta essas músicas fodásticas dele e do Cazuza na TV, no Rock in Rio.

O fato é que eu gosto de um drama, não vou negar. Já chorei na frente do espelho algumas vezes, mas não, não é bonito. Eu cheguei até a criar uma lista no Spotify com seis músicas sertanejas daquelas bem puxadas porque daí eu posso mergulhar na fossa quando eu quiser, já que estou de dieta e não posso mergulhar num pote de sorvete ou de brigadeiro. Chamei a Playlist de “Eitaaa!” e nem sei descrever o porquê.

Mas esse blog não é um muro das lamentações e eu não vou estou precisando de livro de auto-ajuda. Quer dizer, eu acho que eu estou, mas tenho preguiça de ler. Uma sessão de terapia poderia ser melhor, mas estou sem grana. Então eu estou escrevendo como forma de terapia. E tomando vinho também (apesar da dieta). Mas deveria existir uma permissão pra isso, né?

O lance é que Saturno veio bombando, já falei disso aqui. E quem acompanha a astrologia tá bem sabendo disso. Veio tipo o furacão Irma, arregaçando tudo, destruindo Bahamas, Cuba, Miami e adjacências. E destruindo alguns lares, trabalhos, amizades e agora meu coração (ó céus, ó azar! – drama, drama, drama). Calma, não é tudo isso. Na verdade ele só veio dando um sacode, gritando no meu ouvido que nem a Ana Maria Braga: “Acorda, meninaaaaa!”.

Às vezes a gente precisa de um chacoalhão, né? Eu que nunca gostei da zona de conforto, acabei nem reparando que eu estava morando lá.  E fui despejada. O que pode ter sido bom… Eu tenho um Peter Pan que mora dentro de mim, que insiste em não crescer. Mas a vida está me dizendo que a hora é agora e quem sou eu pra discordar? Challenge Accepted! Desafio mais do que aceito e eu vou ser obrigada a arrasar.

Um problema é só um problema e tudo que a gente precisa é de tempo para solucionar. Tempo, amigos e goles de vinho. Vamos em frente. Esse choro vai voltar mais algumas vezes, e ele é importante e muito bem-vindo, mas não, nada vai me derrubar. Eu já percebi que não tenho mesmo vocação para tocar violão ou nenhum instrumento, também não tenho vocação para esportes com raquete, mas também não tenho absolutamente nenhuma vocação para ser infeliz. Nenhuma.

Além de me fazer chorar de novo, o puto do Frejat falou e disse:

“Saudações a quem tem coragem, aos que estão aqui pra qualquer viagem. Não fique esperando, a vida passar tão rápido, a felicidade é um estado imaginário.”

E eu imagino tanto essa felicidade, o tempo todo, que ela já mora dentro de mim. Ninguém tira. E essa, “mermão”, não vai ser despejada jamais.

(mas mesmo assim vamos continuar com o floral, só por precaução, né não?)


Tudo isso foi pra explicar a minha ausência essa semana. Mas aguardem, mais textos bobos, dramas pessoais e conteúdo absolutamente irrelevante (e leve) virão. Aguardeeeem!

Escrito por

Oi! Sou Ana Ferrari.  Produtora de eventos, de filha bonita, de situações ridículas e de trapalhadas aleatórias. Especialista em perder coisas, fazer besteira, viver a vida e dar risada de si mesma.  PHD em crises existenciais que chegam antes dos 40 anos. Paulistana convicta com coração carioca. Leonina até dizer chega. Nem de direita, nem de esquerda. Interessada em igreja, centro, templo e terreiro. Experiente no luxo, no lixo e na luxúria, com vivência no erudito e no popular. Praticante de artes marciais, degustações de café, vinho e seriados. Aprendiz de escritora, de viajante e de violonista. E agora, de blogueira. ​ Pode isso, produção???

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