Eu queria ser o banquinho da bicicleta.

E a história de hoje me lembra essa música clássica dos Raimundos…


Estamos no início dos anos 2000, quando eu tinha lá meus vinte anos e tudo o que me interessava era a faculdade, os gatinhos da faculdade, a academia, e os gatinhos da academia. Para, eu não era fútil assim, foi só pra valorizar o texto. Mas enfim, esses eram sim alguns dos meus interesses… e havia tempo (naquela época eu não tinha noção de que tempo era luxo, a gente só aprende isso depois…), tempo para aproveitar tudo o que é tipo de aula de ginástica, de dança, de luta, o que fazia valer cada centavo da mensalidade carérrima da academia. Novidade da época era a aula de spinning. Era o hit do momento em questão de queima calórica e promessas de pernas super torneadas. É claro que eu não podia ficar fora dessa.

E lá fui eu, mesmo sabendo que não aguentaria nem 20 minutos, quanto mais uma hora de aula.

Mas eu jamais fugiria da guerra antes de ir à luta! E escolhi com todo cuidado a minha bicicleta, de modo que eu ficasse bem longe do professor, escondida atrás de pessoas mais gordinhas, para que eu não fosse vítima do foco do professor e do julgamento das marombeiras (ainda usam essa palavra?) que olhariam com desdém para o meu pouco preparo físico quando o assunto é pedalada.

E então a aula de spinning começou. Música alta, luzes piscando, professor gritando palavras de incentivo, a galera gritando “uhuuuu” e eu começando a pedalar no ritmo. E levantava do banco na subida. E sentava de novo. E inclinava o tronco. E arrebitava a bunda. E aquele selim em formato anatômico, duro, levemente pra cima, posicionado estrategicamente entre as minhas pernas, que só tinham uma fina calça de lycra como proteção, começou a causar uma certa sensação.

E então comecei a pedalar mais rápido. E depois oscilando intensidade. E depois freneticamente. Até que junto com a galera eu gritei “uhuhuuuuuu”!!!

Oh yes! I did it! Sim, eu gozei na aula de spinning. Foi incontrolável.

Dez minutos de aula e a minha perna já estava bamba e a endorfina já tinha arrebatado meu corpinho. Não dava pra continuar depois daquilo. Me retirei fazendo cara de derrota para o público e por dentro eu dava um largo sorriso da vitória.

Ok. Mas depois disso nunca mais. Pensei: tô fora! Como eu vou conseguir emagrecer se eu parar sempre no início? Porque depois de gozar, a vontade é acender um cigarrinho e dormir… Ou só dormir, até porque eu não fumo (nunca fumei)… mas a vibe é essa, saca?

spinning_chicas
E o sorrisão estampado no rosto, né?

Muitos anos depois e essa história tinha ficado esquecida no tempo até que…

Essa semana meu professor pediu para que eu fizesse uma série de aeróbicos depois do treino funcional. Dez minutos de corrida, dez minutos de transport, dez minutos de bike de spinning em ritmo forte. Lá fui eu.

Resultado: Vinte e três minutos de treino, um “uhuuuu”, uma chuva de endorfina, um “cigarrinho imaginário” e depois um banho frio no vestiário. E a volta da lembrança de uma história boa. E um outro texto que pode servir de estímulo e causar algumas matrículas na academia amanhã (alô Velocity!). Deixando claro que é tudo pensando no Projeto Verão.

velocity
Nenhum homem na aula? Porque será?

Sempre bom recordar o lirismo da música-título desse texto, que deixa qualquer funk da Tati Quebra Barraco no chão. E a gente canta tudo.

Selim (Raimundos)

Eu queria ser o banquinho da bicicleta
Pra ficar bem no meio das pernas
E sentir o seu ânus suar
Eu queria ser a calcinha daquela menina
Pra ficar bem perto da vagina
E às vezes até me molhar
Mas eu não sei o que se passa nesta cabecinha
É claro que era da minha
Você não pode duvidar
Fica quieto
Não me deixe envergonhado
Pois se eu ficar excitado
Minha calça vai estourar

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Escrito por

Oi! Sou Ana Ferrari.  Produtora de eventos, de filha bonita, de situações ridículas e de trapalhadas aleatórias. Especialista em perder coisas, fazer besteira, viver a vida e dar risada de si mesma.  PHD em crises existenciais que chegam antes dos 40 anos. Paulistana convicta com coração carioca. Leonina até dizer chega. Nem de direita, nem de esquerda. Interessada em igreja, centro, templo e terreiro. Experiente no luxo, no lixo e na luxúria, com vivência no erudito e no popular. Praticante de artes marciais, degustações de café, vinho e seriados. Aprendiz de escritora, de viajante e de violonista. E agora, de blogueira. ​ Pode isso, produção???

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