Auto-boicote. Quem nunca?

Sabe quem mais empata a foda? Pelo menos tenta? A gente mesmo. Sim, estou falando de nós, mulheres. E é quase sempre à toa.

Donas de todos os tipos de joguinhos, regras bobas provindas de um quê de machismo que ainda existe dentro de nós mesmos, a gente vive tentando boicotar a nossa própria foda. Quanta ingenuidade! É quase sempre em vão. Eles ganham! Sempre ganham! Só não ganham quando a gente realmente não quer. Mas se os homens percebem que existe um puta desejo dentro de nós, e o que a gente fala é pura desculpa para se “valorizar” ou “fazer jogo” ou “sair por cima”… Esqueça… Você pode se boicotar o quanto quiser, porque no final, amiga, você VAI dar. Eles vão fazer você dar. Pode ser pela sedução, pela lábia, pela pegada ou pelo cansaço. Isso é tão certo quanto dois e dois são 4.

Quer ver? Vou contar historinhas verídicas que comprovam essa teoria de que no final, não tem escapatória, não tem boicote que resista. E eu tenho certeza, que muita gente vai se identificar.


Historinha 1:

Tempos atrás, uma amiga minha, numa manhã de muito trabalho, vira pra mim e fala…

– “Cara, tô morta, tô trabalhando virada. Acabei saindo com o fulano depois do jantar.”

– “Nossa, gata, então foi quase uma rave sexual? Acabou agora de manhã?”

– “Na verdade ele queria desde o começo da noite, mas eu estava decidida a não fazer nada porque fazia tempo que eu não saía com ele. E eu tinha que trabalhar cedo no dia seguinte…  Daí enrolei, enrolei e enrolei pra ver se ele desistia… mas no final acabei dando. Não resisti e a gente transou lá pelas 5h da manhã”.

– “E foi bom, pelo menos?

– “Foi ótimo. A gente deve sair de novo hoje, só que eu tô exausta.”

Resultado: Se não tivesse cheia de desculpa para se boicotar, tinha dado logo à meia-noite, podia ter repetido a dose um pouco depois, dormiria a noite toda, estaria ótima pra trabalhar e ainda poderia sair de novo. Looser!


Historinha 2:

Eu, milhões de anos atrás, ia sair pela terceira vez com um cara que eu conheci na internet. O que eu pensei: está tudo uma delícia, mas ainda é muito cedo pra transar, a gente não chegou nessa intimidade toda.

E bem decidida disse a mim mesma: “não vai ser hoje, vou segurar até o fim”.

Sabendo que a própria carne é muito da fraca, que quando a coisa esquenta é difícil resistir, eu, para me prevenir de cair na tentação, resolvi não me depilar. Roupa bonita por fora, lingerie legal por dentro, e mais por dentro ainda uns pelos desnecessários que jamais deveriam ser mostrados, principalmente numa primeira vez…

Tática de resistência montada. Vamos pra guerra!

Dentro do carro, beijos deliciosos pra lá, pegadas incríveis pra cá e ele diz – “vamos pra algum lugar?”. E eu de cara falei que era “melhor não”, e de repente, eu nem sei como, lá estava eu no motel. No motel, em cima de uma cama e crente que ainda bancaria a forte.

Resultado: Dei peluda. É óbvio.


Historinhas 3 e 4 são da mesma autora. Adivinha quem, miagente?

O novo “peguete” diz que vai passar na casa dela antes deles saírem. Como tática, para não correr o risco de ser a própria sobremesa antes do jantar, Magnólia resolve deixar o quarto todo bagunçado para nem convidar o gatinho pra entrar.

Resultado: Deu na sala. E depois deu mais uma vez no quarto zoneado.

Magnólia estava com um namoradinho novo e queria que ele soubesse que não era sempre que ele quisesse, que ela estaria disponível. Que ela era forte e que conseguia se segurar. Mas ela estava “naqueles dias”, então nem se preocupou em pensar em nenhuma tática, porque já tinha uma desculpa boa e real o suficiente. Colocou um absorvente interno e foi se divertir no apê das coleguinhas junto com o boy.

Bebeu. Esqueceu de qualquer tática. Esqueceu de qualquer coisa.

Resultado: Três amigas bêbadas com um espelhinho de mão e uma pinça, todas à procura de uma certa cordinha.


Ou seja: não adianta usar calcinha velha, shortinho de compressão, cinto de castidade. Na hora H tudo isso tem o mesmo destino… fica tudo lá jogado no chão, junto com sua dignidade e todas as outras peças.

Então vou dar aqui duas “dicas” porque eu estou muito generosa hoje e me achando digna de dar conselhos, tipo aquelas colunas de revista de mulheres, saca? Pode isso, produção?

Então, vamos à regra básica:  não há regras para trepar! Nem quando, nem onde, nem com quem. Não há regras e ponto. Não é segurando a onda que o cara vai te dar valor ou não, vai gostar mais de você ou não. Se o cara é babaca, ele vai ser sempre. Se o cara é bacana, ele vai ser sempre. Então não tente boicotar alguma coisa que pode ser muito legal, é melhor deixar rolar e ver no que dá…

Segunda regra: se você efetivamente acha que não está na hora, não se sente preparada, quer conhecer melhor a pessoa e que o melhor mesmo pra você é não cair na tentação, faça o seguinte:

Ponha uma roupa incrível, uma lingerie maravilhosa, passe um óleo gostosinho no corpo, cuide da depilação, coloque a quantidade perfeita de perfume, deixe o cabelo solto e macio. Porque se tem uma coisa que existe nesse mundo e que é mais comprovada que a minha teoria, minha querida, é a Lei de Murphy. Então quanto mais preparada você tiver, mais chance tem de dar errado e não haver trepada alguma. Porque a vida é assim. Ela sacaneia a gente o tempo inteiro.

E a gente continua gostando… Da vida e da sacanagem.

Escrito por

Oi! Sou Ana Ferrari.  Produtora de eventos, de filha bonita, de situações ridículas e de trapalhadas aleatórias. Especialista em perder coisas, fazer besteira, viver a vida e dar risada de si mesma.  PHD em crises existenciais que chegam antes dos 40 anos. Paulistana convicta com coração carioca. Leonina até dizer chega. Nem de direita, nem de esquerda. Interessada em igreja, centro, templo e terreiro. Experiente no luxo, no lixo e na luxúria, com vivência no erudito e no popular. Praticante de artes marciais, degustações de café, vinho e seriados. Aprendiz de escritora, de viajante e de violonista. E agora, de blogueira. ​ Pode isso, produção???

2 comentários em “Auto-boicote. Quem nunca?

  1. Que saudade que eu tava de rir com seus textos! Estudar ainda me priva de umas coisinhas…
    Mó concordo com sua opinião, exceto com essa ai da Lei de Murphy hahaha. Já tentei fazer isso, saí de casa “crente e abafando” que nada iria rolar. Ai-ai-ai… nem chegamos ao restaurante. Foi no carro mesmo. o.O #NósMulheres

    Curtido por 1 pessoa

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