Salve, Jorge!

Ok, chegou a hora de falar da minha amiga Magnólia novamente, porque tem coisas que, acreditem, só acontece mesmo com ela. Magnólia para quem é novo por aqui, é uma pessoa que teve recentemente problemas com o Tinder, colocou a culpa no viking e mereceu um texto-homenagem como prêmio de consolo.


 

Nessa gana de conhecer um homem legal e de se apaixonar de novo, eis que um dia Magnólia conhece um amigo de um amigo. E o cara é gato, muito gato. E simpático. E charmoso. E inteligente. E rico. AND cadeirante.

 

Ela ficou louca.

Ela deu bola. Ele deu bola. E a coisa engrenou…

As mensagens de Whats App começaram a ficar cada vez mais gostosas, mais interessantes, mais picantes.

Um dia o boy, que podemos chamar aqui de sei lá, Jorge, posta no Instagram uma foto de um prato incrível que ele cozinhou. Em tempos de Rodrigo Hilbert, mostrar que você cozinha bem pode ser uma vantagem descomunal no mercado para pegar mulher. Causa mais impacto do que tocar violão, saber dançar ou ter carrão. Acreditem, invistam na gastronomia.

Imediatamente após o post, Magnólia caiu na armadilha da comida e mandou um recadinho elogiando… Jorge, que não é bobo nem nada, obviamente aproveitou a deixa e a chamou para jantar em seu apartamento. E ela, que também não é boba nem nada, aceitou, afinal a dupla “comida + foda” é irrecusável.

E daí que deu o estalo! Ela logo pensou: “E agora? Como é que faz? Como rola? O que eu preciso fazer?”

Magnólia, que não brinca em serviço, faz o que um ser-humano normal (ao meu ver) não faria. Ela não consegue simplesmente deixar rolar… ela faz pesquisas profundas sobre como é a vida sexual de quem é paraplégico, tenta entender quais são as facilidades e dificuldades, onde tocar, mergulha na pesquisa do kama sutra da cadeira de roda… enfim, vai fundo no assunto! Tudo isso para ter segurança de na hora H não dar fora nenhum, saber o que fazer, arrasar e conquistar o bofe.

E ela é tão obstinada, que não bastasse tudo isso, ela chegou a abordar um cadeirante que estava sozinho num restaurante para perguntar como é que a coisa rola. Tá bom pra você? Porque se alguém é curiosa e cara-de-pau nesse mundo, esse alguém é nossa querida Magnólia. Resultado da abordagem: o cara explicou tudo e mais um pouco e ainda deixou o telefone caso ela tivesse mais dúvida ou se desse errado com o Jorge. Tá, meu bem?

E o dia do encontro finalmente chegou. Magnolia colocou uma roupa sexy na medida, ombro aparecendo, melhor calcinha e foi à luta.

Chegando lá, papo vai, papo vem, jantarzinho aqui, bebidinha ali, e aquele ombro de fora tava pedindo uma massagem. Jorge logo se ofereceu e aí que a coisa começou. Massagem, beijo que encaixa, “tudo em cima” embaixo da roupa, design peniano dos melhores… simplesmente perfeito. Começou no sofá, passou pela cadeira, terminou na cama. Festa no apê.

Teve de “um tudo” e uma curiosidade: Jorge não gozava, não porque não pudesse, mas porque às vezes ele literalmente desmaiava. E por isso, ele obviamente não se preocupava com si mesmo e era beeeem generoso. Teve rounds e rounds de chupada. Magnolia caia na lona e revirava os olhinhos, se recuperava e o cara estava lá, incansável.  E não era qualquer uma, Magnolia disse que foi a melhor da vida.  SALVE, JORGE!!!

Ao final da luta, Jorge deu uma de Wando e pediu a calcinha dela de recordação.

Pausa para reflexão: mas que porra é essa, né, gente? A gente até se sente lisonjeada com esse tipo de pedido, sabemos que depois pode rolar umas homenagens com esse “objeto de desejo”, mas eu acho meio bizarro porque eu sempre me lembro de um filme tipo pornochanchada do Nelson Rodrigues que tinha um personagem tarado que roubava calcinhas pra cheirar. E era aqueles tarados que babavam, um horror. Enfim…

 Voltando: como recusar um pedido desses depois de uma noite daquelas? Magnolia entregou a calcinha, a periquita e quase entregou a chave de casa. E voltou pra casa nocauteada, feliz até dizer chega e claro, já um pouquinho apaixonada.

Sim, porque 90% das mulheres são bobas a esse ponto.

Porém, como nem tudo são flores nessa vida, e o jogo do amô é sempre cheio de expectativas e falhas de comunicação, a coisa não terminou bem.

Jorge demorou 2 dias para entrar em contato. Veja bem, dois dias não são nada, mas para uma pessoa ansiosa pode ser uma eternidade. Pode ser que Jorge estivesse somente ocupado, ou que ele achou melhor ir com calma, ou que ele achou legal fazer um joguinho para manter uma chama acesa, uma expectativa… Mas Magnolia não gostou de esperar e devolveu o jogo. Para não demonstrar tanto interesse preferiu recusar o convite para outra saída e soltou a seguinte frase… “Putz, hoje não vai dar, vamos ver se marcamos no final de semana…”

E antes do final de semana foi a vez dela procurar e ele soltou… “Putz, não vai dar, vou viajar…”

E ela se revoltou, porque viu alguma coisa diferente no Instagram e se revoltou mais ainda que deu para ele uma calcinha Calvin Klein de renda preta, a calcinha que era a preferida, a eleita “calcinha da foda”, usada para momentos especiais (os homens não sabem que a gente tem isso…).

E o que ela fez? O que ela fez?

Mandou uma mensagem com uma abordagem toda errada dizendo que se precipitou e perguntando se eles podiam se encontrar para ele devolver a calcinha. Ele entendeu tudo errado, achou que ela não queria mais nada, ficou puto…

E o que ele fez? O que ele fez?

Bloqueou ela de tudo, de todas as redes sociais, do telefone, da vida.

Magnólia ficou sem chão, sem contato, sem Jorge e sem calcinha. Um final profundamente infeliz.

E que lição a gente tira disso? Nenhuma. A gente fica na verdade na dúvida se torce para Magnólia encontrar sim um grande amor, ou se a gente torce para que ela continue fazendo trapalhadas para contar suas histórias por aqui.

Mag, tamo junto! E #salvejorge.

Salve-Jorge

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Escrito por

Oi! Sou Ana Ferrari.  Produtora de eventos, de filha bonita, de situações ridículas e de trapalhadas aleatórias. Especialista em perder coisas, fazer besteira, viver a vida e dar risada de si mesma.  PHD em crises existenciais que chegam antes dos 40 anos. Paulistana convicta com coração carioca. Leonina até dizer chega. Nem de direita, nem de esquerda. Interessada em igreja, centro, templo e terreiro. Experiente no luxo, no lixo e na luxúria, com vivência no erudito e no popular. Praticante de artes marciais, degustações de café, vinho e seriados. Aprendiz de escritora, de viajante e de violonista. E agora, de blogueira. ​ Pode isso, produção???

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