De repente 38.

Véspera de aniversário. Tenho que dizer que nem Saturno, nem meu inferno astral, nem aquela fase cruel da lua que ficou até o dia 16 de julho, conseguiu me derrubar. É bem verdade que eu passei umas três semanas com o astral mexido, com meu feng shui desorientado, com uma confusão da porra na cabeça, mas tô aqui, mais firme e mais forte do que nunca, com uma energia forte brotando de dentro. Ah, Saturno se oriente! Vá tomar um purgante, porque aqui não se derruba não.

Pausa aqui para aquelas pessoas que não se ligam em astrologia e não estão entendendo picas do que eu disse aqui: em março entrou a era de Saturno que deve perdurar por 36 anos. Isso quer dizer que eu, você e todo mundo, vamos viver a outra metade da nossa vida com influência desse planeta e dizem que ele não veio pra brincadeira, não… ele veio pra derrubar tudo que não fosse extremamente sólido, tudo que fosse superficial, entre outros efeitos avassaladores… Acreditando ou não em Saturno, esse ano eu já vi muitas separações acontecerem, casamentos que foram colocados à prova, carreiras e afins… Não sei se é coincidência, mas eu senti de perto, e acreditei. Acredito até em fada do dente, é verdade, mas sério, Saturno veio como um soco do Mike Tyson na cara. E inferno astral é aquele mês foda que antecede seu aniversário e que todo ano me vira de ponta cabeça, simplesmente não tem como não acreditar.

Mas voltando ao texto pré-aniversário…

Hoje me sinto tão forte e tão preparada e tão leve e tão feliz e tão “venha o que vier que eu tô louca pra viver”, que só tenho motivos pra comemorar e pra agradecer. A saúde tá “ótema”; com exceção dessa tireóide zuada que não me deixa emagrecer, a família está inteira e unida, o trabalho está pesado mas eu amo; o amor está no ar; mil planos e sonhos para serem realizados; e tudo vai bem, obrigada (exceto pela penca de dívidas que eu tenho e que estou fingindo que não é comigo, mas ok… não entremos nesse assunto num dia tão feliz como hoje).

Eu tenho a sorte de fazer aniversário em julho, e isso quer dizer que eu tenho a energia renovada a cada semestre. Então quando aquele efeito da energia e das promessas de aniversário estão passando, a energia já está quase ruindo, vem o Ano Novo e renova a porra toda. E o ciclo vai girando de uma forma muito sábia.

Mas como tudo tem uma dose de drama na minha vida, eu preciso dizer…. eu estou me sentindo incrível por dentro, uma mulher e tanto, bem realizada e resolvida. Mas quando eu olho no espelho, fazendo 38 anos o que eu vejo? Vejo RUGAS. Vejo aquela bochechinha que caiu quando eu emagreci e formou uma bochecha de filhote de buldogue. Vejo um bigode chinês com uma profundidade suficiente para que as lágrimas percorram um caminho até o queixo através deles, como se fosse um rio. Vejo uma marca na testa que a corta de ponta a ponta como a Linha do Equador, e que eu malandramente escondo com uma franja. Vejo peitos que amamentaram bastante (ainda bem) e que hoje seguram facilmente uma caixa de lápis de cor 24 cores embaixo deles. Vejo culotes que resolveram se instalar nas laterais dos quadris e que formaram pequenos montes que quase arrebentam a costura da calça jeans. Vejo uma barriga clamando por uma abdominoplastia. Vejo celulites que se proliferam como Gremilins quando eu jogo água no banho. Ok, ok, vejo uma mulher de verdade, que pariu, que comeu o que tinha vontade, que viveu sem regras… Tudo muito lindo, tudo se encaixando no meu conceito de vida e felicidade, mas, pohaaaan… as consequências de tudo isso podiam ter sido mais leves, né? Vou ter que gastar a maior grana para tentar deixar as coisas mais ou menos no lugar.

Esses dias minha amiga (que é naturalmente linda) postou uma foto sem filtro, com cabelo branco à mostra, pele sem maquiagem. Estava linda. Chuva de comentários celebrando essa maturidade e eu além de pensar “caraca, que linda”, pensei “porra, que inveja dessa auto-estima, desse #tônemaí, que inveja desse #soulindamaduraeplena”.

Porque uma coisa que esses 38 anos não me deram ainda (além de cabelos brancos – obrigada senhor mil vezes por essa dádiva – porque eu já gasto um dinheiro todo mês pra ficar ruiva, imagina ainda ter que cobrir os brancos) foi a tal da MATURIDADE.

Gente, maturidade? Isso eu não tenho não. Alguém me conta como faz pra ter esse trem? Como faz pra ficar serena? Pra se sentir bem com essas rugas? Pra não ligar pro que falam? Pra só curtir boa música? Pra não acreditar em qualquer lorota que se ouve? Pra não cair sempre no canto da sereia? Pra não ter aquele espírito de “posso curtir a vida adoidado porque nada vai acontecer comigo”? Como faz pra entender de uma vez por todas que guardar dinheiro é preciso? Como faz pra agir de forma adulta quando seu espírito diz pra ser criança o tempo inteiro? Não sei. E pra falar a verdade eu nem quero que me contem porque a minha grande falta de maturidade ainda diz que é cedo pra se importar com tudo isso. E dizem que os 40 são os novos 30, então quando se tem menos de 30 dá pra ser inconsequente, não?

Enfim, vamos lá comemorar esses 38 anos com corpinho de 37, pele de 39 e juízo de 15, passando muito corretivo nesse rosto, guardando uma grana pro botox, postando tudo que é foto com filtro e fazendo o que eu sei fazer de melhor: brindar essa tal da felicidade que mora aqui dentro desde sempre e vai morar até eu ficar bem velhinha! Vivaaaaa!

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Escrito por

Oi! Sou Ana Ferrari.  Produtora de eventos, de filha bonita, de situações ridículas e de trapalhadas aleatórias. Especialista em perder coisas, fazer besteira, viver a vida e dar risada de si mesma.  PHD em crises existenciais que chegam antes dos 40 anos. Paulistana convicta com coração carioca. Leonina até dizer chega. Nem de direita, nem de esquerda. Interessada em igreja, centro, templo e terreiro. Experiente no luxo, no lixo e na luxúria, com vivência no erudito e no popular. Praticante de artes marciais, degustações de café, vinho e seriados. Aprendiz de escritora, de viajante e de violonista. E agora, de blogueira. ​ Pode isso, produção???

Um comentário em “De repente 38.

  1. Essa é a Ana Cláudia! E o mais importante de tudo isso e que me encanta desde sua infância é ouvi-la dizendo que é Feliz! Como isso me faz bem! Você era tão criança e já me dizia: – Mamãe, eu sou tão feliz! – Então só posso pedir a Deus que assim seja por toda sua vida! Feliz Novo Ano de Vida! Que venham os 38 com a realização de todos os seus planos para eles! Com muita felicidade! E quanto aos sinais que a idade não esconde, só não os terá quem deixar esta vida muito cedo, no meio do caminho… né não?

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