Apenas parem.

Vida de Facebook é assim, todo dia um convite de evento novo. O mundo tá bombando por aí, a F.O.M.O* tá bagunçando a nossa cabeça, e a gente quer participar de tudo, se clonar para estar em todos os lugares. Mas, e aqueles eventos falsos que surgem no Face? É cada um que aparece que a vontade é que realmente alguns deles acontecessem. Eu, como produtora de eventos, gostaria de realizar alguns deles, e passo um tempo pensando nesses conteúdos ridículos, e nas pessoas maravilhosas que criam isso na internet. É simplesmente fantástico.

Por exemplo: dá pra negar um convite do Caetano para um Workshop para o corpo e pra cuca ficar Odara? Porra, primeiramente eu adoraria saber o que é odara, só isso já valeria o ingresso.

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Imagine o repertório do Concerto para tocar o foda-se? Sensacional. Eu beijaria os pés do maestro.

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E a Corrida com Forrest Gump? Eu iria!

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“Campeonato de esgrima com pau de selfie”? Eu iria também, faria muitas selfies com o campeão. Na verdade eu talvez fosse a campeã…

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Aulas de Pole dance segurando “essa barra que é gostar de você”. É erotismo puro com sofrência do Raça Negra. Não dá pra perder.

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Reunião pra perguntar ao motorista do ônibus “a que ponto chegamos”. Essa daria muitas horas de debate.

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Sessão de regressão para lembrar de “quando foi que pedi sua opinião”. Eu levaria alguns convidados pra essa.

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Enfim, são “billions and billions” (como diria Donald Trump**) eventos extraordinários que enriquecem todo dia a nossa timeline. Mas apareceu um evento essa semana, que chamou a minha atenção e que eu não só apoio a causa, como também sou bem solidária a quem criou o evento “Parem o Rodrigo Hilbert”.

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Homens, eu entendo. Eu entendo vocês. Sim, ele é um “Homão da porra” como dizem por aí.

Quando a gente era adolescente e escrevia na agenda e lia Capricho, a gente brincava de montar o homem ideal… Olhos de um, boca do outro, peito de fulano, perna de ciclano e por aí continuava… ou a gente simplesmente colava a foto do Brad Pitt porque ele era o melhor de tudo e pronto.

Na fase adulta, a gente não liga só para beleza (até porque, se a gente ligasse, a chance de morrer sozinha ou virar lésbica aumentaria em 50%). A gente sabe que tem atributos mais importantes. A gente vê se o cara é viril, mas também é sensível. Se o cara tem pegada, mas sabe respeitar. Se não é dinheirista, mas é ambicioso. Se não é workaholic, mas é trabalhador. Se não é machista, mas também é provedor. Se faz as tarefas de casa e não age como se isso fosse uma obrigação ou um diferencial. E blá blá blá…

E daí a gente vai montando esse homem ideal, com as qualidades visíveis e as intangíveis e o algoritmo do Google dá o que: Rodrigo Hilbert. Eu tentei também achar um defeito e não consegui. É o cara que serve de marido, de babá, de cozinheiro, de encanador, de pintor, de professor de yoga, de costureiro, de troféu e ainda preenche o sonho antigo de “namorar um surfista and galã de novela”. Ele é tudo. E não é brocha, pelo que mostram os filhos. E o DNA é excelente, logo se vê.

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construindo coisas e sendo lindo
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fazendo crochê e cozinhando

Não dá para fazer uma combinação melhor.  Se ele ainda fosse cabeleireiro e cirurgião plástico, realmente eu acho que valia uma ”vaquinha” daquelas coletivas com todas as mulheres do mundo para investir na clonagem em série desse exemplar da espécie. Porque valeria qualquer investimento.

Lembro de já ter encontrado com ele duas vezes pessoalmente. A primeira quando ele estava saindo do surfe na Prainha no Rio, e ele simplesmente ficou ao lado do carro dele, de cueca branca molhada (uma cena completamente inesquecível) e daí amarrou a toalha por cima, tirou a cueca (e a minha imaginação foi quase uma visão de raio-x através da toalha) e se vestiu ali merrrmo.

A segunda vez foi no ano passado, quando eu estava em Inhotim e ele estava lá junto com toda a família que saiu diretamente de uma propaganda de margarina para aquele lugar. Naquele restaurante eu falei para a minha filha:

“Marina, sabe quem está aqui? O Rodrigo Hilbert! Aquele moço do programa de cozinha que você ama”.

Ela, imediatamente pediu para que eu mostrasse. Cheguei com ela bem pertinho e na mesma hora ela ficou com brilho no olho e a bochecha toda rosa. Sim, o efeito Rodrigo Hilbert também acomete meninas de sete anos.

Acabando de visitar o museu vem a pergunta: “E aí, filha? O que você achou mais bonito por aqui? E nós duas falamos juntas: “o Rodrigo Hilbert!”. Sim, era a obra-de-arte mais incrível daquele lugar fantástico.

Mas homens queridos desse Brasil, sil, sil… relaxem! Se pra vocês o sentimento é de “Putz, eu sou um merda perto desse cara”, pensem que pra gente a frustração é mil vezes maior. É do tipo: “Deus, sério mesmo que você só fez UM assim”?

Se nesse país, temos 6 milhões de mulheres A MAIS do que o número de homens, o que é 01 Rodrigo Hilbert? Peanuts. Nada. Não faz nem cócega.

Portanto, relaxem. Mas parem sim o Rodrigo, porque esse ideal de perfeição não dá pra chegar e muito menos sonhar em ter como marido.

Mas, por obséquio, vocês podem parar também a Fernanda Lima?

Ela tem a mesma cara de princesa desde que ela era capa da Capricho (veja bem: ser capa da Capricho era um ideal inatingível, era como ser paquita na infância).

Ela teve gêmeos e aquela barriga chapada não conhece o que é estria.

Ela tem aquela cor de cabelo que nenhum cabeleireiro que custe o que eu consigo pagar consegue chegar.

Ela tem aquela pele de pêssego sem precisar de um corretivo sequer.

Ela vai ao restaurante no Leblon de chinelas e bicicleta, e rouba a cena como se tivesse usando Louboutin e chegado de Ferrari.

Ela fala de sexo sem ser vulgar e sem ser julgada.

Ela faz ioga há anos, o que deve garantir excelentes aberturas de pernas sem dar câimbra, além da possibilidade de fazer todas as posições do Kama Sutra.

Ela é casada com ele, Rodrigo Hilbert.

Criando agora o evento: Parem a Fernanda Lima. Apenas parem.


Esse texto sobre o movimento Parem o Rodrigo Hilbert é sensacional. Vale a leitura.

http://www.fernandoguifer.com.br/index.php/2017/03/21/alguem-precisa-parar-rodrigo-hilbert/

Tem página no Facebook com montagens hilárias do nosso Macgyver Brazuca mais sexy que já existiu.

https://www.facebook.com/paremrodrigohilbert/


*F.O.M.O – “Fear Of Missing Out” – a síndrome atual que nós, ser-humaninhos-hiper-conectados-pae, sofremos por medo de perder alguma coisa, já que está rolando mil eventos, e queremos nos clonar em mil, e participar de tudo, e isso aumenta a nossa ansiedade, e isso da uma panicada, e isso deixa a gente totally crazy e em crise.

**É preciso ver esse vídeo do Trump, billions and billions times.

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Escrito por

Oi! Sou Ana Ferrari.  Produtora de eventos, de filha bonita, de situações ridículas e de trapalhadas aleatórias. Especialista em perder coisas, fazer besteira, viver a vida e dar risada de si mesma.  PHD em crises existenciais que chegam antes dos 40 anos. Paulistana convicta com coração carioca. Leonina até dizer chega. Nem de direita, nem de esquerda. Interessada em igreja, centro, templo e terreiro. Experiente no luxo, no lixo e na luxúria, com vivência no erudito e no popular. Praticante de artes marciais, degustações de café, vinho e seriados. Aprendiz de escritora, de viajante e de violonista. E agora, de blogueira. ​ Pode isso, produção???

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