Vida de ProduCÃO

Foram 20 dias que eu nem vi passar. Eu só senti. Senti o cansaço, senti o sono, senti o stress bombando.

Abandonei o blog, a dieta, o treino, o marido, os amigos, as contas. O bom humor de sempre acabou me abandonando também (pena que as ligações de cobrança não me abandonaram…).

Foram 20 dias daqueles que você desencana de tentar equilibrar alguma coisa, que você sabe que tentar ser uma super-mulher é pura perda de tempo. Só gera frustração (mas acho que isso acontece o tempo inteiro, não?).

Foram 20 dias que o travesseiro virou o muro das lamentações por alguns segundos antes de eu capotar. Foram 20 dias que o despertador passou do status de pior inimigo para o monstro que me apavorava.

Foram 20 dias que eu desejei fortemente que acabassem logo e ao mesmo tempo que passassem bem devagar pra dar tempo de fazer tudo.

Foram 20 dias simplesmente… fodas. E que se juntaram ainda com um teco do meu inferno astral, tornando ainda tudo mais foda.

Mas o que aconteceu nesses dias, miagente??? Qual o motivo de todo esse drama???

Eu respondo:

Eu poderia estar matando, eu poderia estar roubando, mas não… eu só estava produzindo um evento. Um não, três. Daqueles.

Eu estava fazendo sozinha? Claro que não! Tinha uma equipe inteira dividindo as mesmas sensações, reclamando das mesmas coisas, basicamente na mesma merda comigo.

Trabalhar com produção de eventos é bem parecido com o Big Brother. Todo mundo na mesma casa (sim, a gente passa tanto tempo na agência que lá vira nossa casa), todo mundo atrás do mesmo objetivo, mas cada um com seu jeito, com seu talento, com seus defeitos.

Às vezes um mete o pau no outro porque teve que “lavar a louça” que era dele, o outro discute com um porque teve que “arrumar a cama” de alguém, o outro varreu a sujeira pra baixo do tapete e deu uma de louco, o outro fez corpo mole na prova, o outro quer ser líder, o outro quer ser anjo… gente brigando, gente chorando… Inteeeeenso!

Mas também tem o outro lado. Também  tem gente se divertindo horrores, chorando de rir, dividindo intimidade, se sacaneando (no melhor sentido de todos), se apoiando, oferecendo o ombro amigo, se revezando quando dá, defendendo o coleguinha, formando aliados, aproveitando a festa… Inteeeeeeenso!

Mas e essa intensidade e insanidade toda valem a pena?

Essa é uma resposta que varia de acordo com o dia, confesso. É uma pergunta que, dependendo da época, a gente se faz quase que o tempo todo. Mas o que não dá pra negar é que o prêmio é indiscutivelmente bom. Bom pra cacete!

 

Ver tudo aquilo que você planejou durante 6 meses se transformar numa exposição linda? Maravilhoso.

Ver um fã emocionado? Incrível.

Ver os artistas se amarrando em fazer parte do projeto? Show.

Ver seu evento lotado e sendo um sucesso? Demais.

Ver milhares de pessoas com a mão para o alto cantando no show? Sensacional.

Ver que você faz parte de um lance muito bacana? Foda!

Brindar com a equipe no final? Delícia.

Se dar conta que acabou e que a missão foi cumprida? Um alívio.

 

OK, ok, dá um orgulho danado, não dá pra negar. A gente sofre, mas a gente goixxxta.

Mas por precaução, antes de sair pra trabalhar no último domingo eu olhei bem nos olhos da minha filha e disse: você me promete que escolhe outra profissão?

Pois é, “eta vida, eta vida de cão….” Vida de cão,  vida de produção, às vezes é quase tudo a mesma coisa…. Mas podia pelo menos ser um cão de madame, que vai passear na Oscar Freire, né? Mas riqueza por aqui, infelizmente, só de espírito mesmo.

Enfim, mas porque esse texto dramático, esse desabafo tão grande???

1) Porque eu estou exausta e com vontade de tirar 3 anos sabáticos!

2) Porque eu queria chamar a atenção e pedir desculpas públicas por ter sumido do mundo por tanto tempo!

3) Porque eu queria mostrar os eventos lindos que eu fiz parte!

4) Porque eu queria que alguém ficasse com pena e me patrocinasse pra eu sair dessa vida de cão…

5) Todas as anteriores.

6) Pode isso, produção???

 

Pode, claro que pode! Agora chega de mimimimi que amanhã tem mais. Muito mais trabalho, e quem sabe mais um post…

 


Hora do Jabá:

Exposição Nirvana: Taking Punk to the Masses.

Pela primeira vez saindo de Seattle depois de 5 anos, super inédita, cheia de conteúdo. Legal pra quem é fã da banda, ou de grunge, ou de música, ou de coisa boa e ponto. Tem vídeos inéditos, contratos, cartas, fotos pessoais, guitarras quebradas, roupas dos integrantes das bandas… demais mesmo. De 22 de junho a 22 de agosto no Museu Histórico Nacional do Rio. E calma que chega em Sampa dia 12/09.

Segue a reportagem que mostra um pouquinho. Eu apareço desfilando atrás da bateria do Dave Grohl. Mas foi bem rapidinho, se piscar, perde.

http://g1.globo.com/globo-news/jornal-globo-news/videos/t/videos/v/exposicao-nirvana-taking-punk-to-the-masses-chega-ao-rj/5964410/

P.S – enquanto minha amiga e produtora grava para a Globo News, eu dei entrevista para a TV Câmara Rio. Ou seja, ninguém vai me ver, provavelmente nem eu mesma. Mas no fundo eu acho que eu arrasei.

Abaixo um paralelo entre o Kurt Cobain e eu, nas fotos incríveis de Charles Peterson..

02_Charles_Peterson_Kurt_flutuando_Charles_considera_uma_de_suas_fotografias_mais_importantes_02
De cabeça pra baixo: é como eu me sinto agora
16_1grunge_nirvana_soundgarden_sub_pop_19
Alguém me carrega pelo amor de Deus?

 

Shows de premiação do concurso E-Festival Instrumental

Com a Orquestra Juvenil Heliópolis tocando um repertório de rock maravilhoso, com arranjos incríveis com participação especial do vencedor do concurso: Fernando Molinari Trio e a cantora Pitty (que é linda e que eu virei fã). No Circo Voador no Rio e no Parque do Ibirapuera em Sampa. Foi sensa!

Tudo isso é: Realização Dançar Marketing com incentivo do Ministério da Cultura e patrocínio Samsung.

Lindo, né? Obrigada, obrigada.

Escrito por

Oi! Sou Ana Ferrari.  Produtora de eventos, de filha bonita, de situações ridículas e de trapalhadas aleatórias. Especialista em perder coisas, fazer besteira, viver a vida e dar risada de si mesma.  PHD em crises existenciais que chegam antes dos 40 anos. Paulistana convicta com coração carioca. Leonina até dizer chega. Nem de direita, nem de esquerda. Interessada em igreja, centro, templo e terreiro. Experiente no luxo, no lixo e na luxúria, com vivência no erudito e no popular. Praticante de artes marciais, degustações de café, vinho e seriados. Aprendiz de escritora, de viajante e de violonista. E agora, de blogueira. ​ Pode isso, produção???

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