Tudo culpa do viking

Pedindo licença aqui para contar uma história imprópria, boa, verídica, porém… que não é minha. É de uma amiga que eu vou de chamar de MÁGNÓLIA.


Existe uma coisa que eu não vivi: relações em tempos de Tinder.

Eu casei cedo. Veja bem: cedo, mas aproveitei o suficiente…

Mas cedo também o suficiente para dizer que na minha pequena fase de solteira, pré-casamento, ainda estava começando essa onda de sites de relacionamento (há muito tempo atrás, numa galáxia muito distante, onde não existia ainda smartphones, quiçá, aplicativos…). Era tudo ainda meio novo, existia aquele preconceito de só entrar nesses sites quem não conseguia pegar ninguém… Quem era encalhado. Ou problemático. Ou serial killer. No mínimo, era um “Looser”*.

Mas um belo dia um amigo me sacaneou e me inscreveu de brincadeira num desses sites. No mesmo dia já começou aquela chuva de mensagens que você nem sabe de onde vem, e aquela prateleira virtual de homens a seu dispor. Ok, isso é legal. Muito legal. É como entrar numa loja na internet: às vezes você passa horas vendo e imaginando se aquela roupa ficaria bem em você, mesmo sabendo que não vai comprar nada, só por diversão.

Mas não é que rolou um “match” com um boy? E nem tinha nome pra qualificar quando dava jogo na época… Lembro que o cara se achava o foda! Na foto, no jeito de falar… E eu tirei tanta onda da audácia dele, e a gente sacaneou tanto um ao outro, que a curiosidade foi mais forte e marcamos um encontro.

O moço era bonito igual à foto, engraçado como nas conversas, bem gostosinho, sem propaganda enganosa. E acabou rolando com o Alex…. Foram boas risadas e algumas trepadas… Conclusão: única experiência virtual na vida – positiva.

Mas hoje, não é novidade pra ninguém, que tudo se desenvolveu. Temos aplicativos de sobra voltados para todos os públicos. São muitas possibilidades de matches, encontros, relacionamentos, fodas e afins à disposição… um playground total. Maaaas… maaas… nem tudo são flores… é o que dizem algumas amigas minhas… em especial Magnólia.


Magnólia tinha lá seus 14 anos quando estava passeando na praia e uma cigana se aproximou dela e contou a seguinte história: “Em alguma de suas vidas passadas, você foi mulher de um viking, extremamente possessivo, que não queria te largar por nada. Outras vidas se passaram e o espírito dele continua grudado em você, te perseguindo, não dando espaço para outra pessoa chegar. Enquanto você não tirar esse viking de você, as coisas não vão acontecer, vão ficar amarradas e você não vai encontrar seu grande amor.”

Quando se tem 14 anos não se dá ouvidos a uma história dessas. Ledo engano. Muitos anos e relacionamentos frustrados depois, hoje Magnólia poderia cantar em alto e bom som aquele samba da Simone: “a cigana leu o meu destino…”

Agora ela se encontra naquele período forçadamente sabático no que se refere ao sexo. É aquela pausa na vida que você não quer fazer, mas quando te perguntam porque você está parada, você dá uma de atriz de TV que está na geladeira e responde: “no momento estou avaliando novos projetos…”. Pois é, mas a verdade é que Magnólia está sem projeto algum pra avaliar.

Como qualquer mulher romântica, Magnólia sonhava com um relacionamento de amor. Depois de um tempo já viu que era melhor baixar a expectativa e estava somente à procura de um “cacho” para chamar de seu. Mas em época de crise, o pouco pode ser o suficiente e ela realmente está no momento querendo apenas sexo. Sexo bom, casual e que deixe a pele com aquele brilho. E com pessoas que preencha requisitos básicos, sem exigências megalomaníacas: homem, hétero, solteiro, limpo, que trate com respeito mas que tenha pegada, que saiba falar, que saiba falar não só de si mesmo, minimamente bonito, minimamente gostoso, pau que fique longe do “minimamente”. Se conseguir pagar um motel sozinho é um plus. Se levar para jantar antes, então, ganha estrelinha (ou outra coisa).

Ela tentou ex-namorado, tentou um antigo PA**, tentou amigo, tentou amigo de amigo, tentou primo, tentou achar conforto nas minorias… mas não conseguiu nada que fosse legal.

E então era a chegada a hora de tentar o Tinder…

Logo na primeira semana Magnólia se deslumbrou com a oferta, com toda aquela variedade à disposição de um clique na prateleira virtual. Ficou analisando todas as possibilidades e foi então que ela conheceu Pedro….

Pedro era bem simpático, extrovertido, razoavelmente bonito. Olhos verdes, barba, bigode… tudo super de acordo. Era mensagens o tempo inteiro, papo gostoso…. A coisa foi aumentando, melhorando… Magnólia chegou a receber bombons no trabalho! Golaço! Tudo indo muito perfeito, e a coisa esquentando cada vez mais, mas de um jeito fofo … até que ela recebe imagens no whats app. Mas não eram qualquer imagens… Não eram nem sequer nudes… Não adianta pedir: “Cobandante Habilton, eu quero ver as ibagens!”, como diria o Datena, porque eu não posso mostrar.

Mas posso narrar…

Primeira foto: um homem recebendo um blow job*** de uma mulher. Outro homem de coleira lambendo os pés dela.

Segunda foto: um homem nu deitado no chão, com algum adereço fetichista no pau, e um casal pisando na boca dele.

Terceira foto: um casal trepando enquanto o outro homem lambia ela e ele ao mesmo tempo, tudo de uma vez só.

Ou seja: Pedro deu seu recado. Ele gostava de ser esse terceiro elemento. Esse homem submisso.

E Magnólia também deu seu recado, porque obviamente ela não estava preparada para essa dose de sinceridade, como se vê por aqui.

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Acho que ela ficou brava… só acho…

E depois dessa pequena aventura, ela resolveu colocar o Tinder temporariamente na geladeira.

Tudo culpa do Viking.


Pedro:

Querido, não temos preconceito algum. Cada um com o seu fetiche, com sua forma de amor. Qualquer fantasia é bem-vinda quando tem alguém disposto a compartilhar da mesma ideia e embarcar no mesmo prazer com você. Sendo comum ou bizarro, sempre tem um chinelo velho para um pé cansado. Aliás, o que é comum? O que é bizarro? O que difere os dois é somente um ponto de vista. Mas faltou bom-senso de sacar que Magnólia não gosta nada disso, né? Precisa calibrar esse radar…

Magnólia:

Calma que o mercado pode estar difícil, mas ainda tem produto bom e disponível por aí. Eles só ficam mais escondidos, mas aparecem na hora certa. Pergunta pra sua cigana!

Viking:

Vai procurar outra! O Pedro pode gostar de alguma coisa mais forte.

Cigana:

Por qual praia você andaaaaaaa? Venha ler minha mão!!!


 

*looser – perdedor.

**PA – pau amigo (aquele amigo que faz aquele sexo sem compromisso e sem interferir na amizade)

**blow job – boquete

 

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Escrito por

Oi! Sou Ana Ferrari.  Produtora de eventos, de filha bonita, de situações ridículas e de trapalhadas aleatórias. Especialista em perder coisas, fazer besteira, viver a vida e dar risada de si mesma.  PHD em crises existenciais que chegam antes dos 40 anos. Paulistana convicta com coração carioca. Leonina até dizer chega. Nem de direita, nem de esquerda. Interessada em igreja, centro, templo e terreiro. Experiente no luxo, no lixo e na luxúria, com vivência no erudito e no popular. Praticante de artes marciais, degustações de café, vinho e seriados. Aprendiz de escritora, de viajante e de violonista. E agora, de blogueira. ​ Pode isso, produção???

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