Toca Raul (e Caetano, e Gil, e Beatles e…)

Cheguei ontem em casa e vim direto escrever no blog. Já tinha um assunto que estava na minha cabeça há semanas, era só colocar o pijaminha, pegar um café (descafeinado, porque de noite, né?), um cobertorzinho, colocar um sonzinho de fundo e deixar o texto fluir…

Só que quando liguei a TV pra colocar esse tal “sonzinho” no Canal Bis, lá estava ele: Caetano.  Junto com ele: um violão. Só.

Só?? Sóóóóóó???? Eu simplesmente hipnotizei no poder daquela voz e daquele violão e não consegui fazer mais nada. Eu só queria ser uma daquelas pessoas cantando junto com ele no Teatro Castro Alves. Queria cantar “Eta… Eta, eta, eta…” na Luz de Tieta. Queria gritar “tô aquiiiiiiii!” no final da música “Sozinho” em que ele pergunta “onde está você agora?”.

E fiquei cantando uma atrás da outra…

O primeiro acorde de “Luz do Sol” tocou lá no fundo…

“Leãozinho” foi uma chuva de lembrança boa…

E prestava atenção em cada letra e cada uma era um tapa na cara:

“Porque toda razão, toda palavra, vale nada quando chega o amor.”* – PÁH!

“Ele está na minha vida por que quer e eu estou pro que der e vier.”** –  PÁAAHH!

E ele cantou “Menino do Rio” e de repente eu estava lá em Ipanema. E ele cantou “Reconvexo” e eu me teletransportei pra Bahia. E eu ia viajando junto com a música e pensando algumas coisas:

  • Porra, o Caetano é foda.
  • Porra, que merda que a minha voz é horrível.
  • Porra, quando eu vou aprender tocar violão assim? Ou melhor, quando eu vou aprender a tocar violão???
  • Porra, como eu falo palavrão. Porra, que poder louco que a música tem de te fazer viajar.

Porque tem música que te leva totalmente pra outro lugar. Para aqueles que você conhece, para aqueles que você nunca esteve e até para uma outra época que você nem viveu. E tem músicas que eu penso numa situação, me imagino nela, e nem a letra e nem o vídeo e nem nada nela faz sentido com o que eu imaginei. Uma loucura!

Quer um exemplo? “Walk on the wild side” do Lou Reed. Eu ouço e me imagino vagando sozinha em New York madrugada a dentro. A música toda eu fico só andando… andando…

Essa situação já aconteceu de verdade? Não. Essa música me lembra algum momento da minha vida? Não. A letra mostra uma situação parecida? Não. A letra fala de um transsex que chama alguém pra dar uma voltinha… Um jeito sacana de convidar para um programinha “Hey, baby, take a walk on the wild side…”*** Não tem explicação, mas minha cabeça criou um cenário que eu adoro e não quero sair de lá.

Outro exemplo? Tem uma música incrível do Leon Bridges que chama “River”. Toda vez que eu ouço, me imagino numa sacada de um hotel barato no Centro, de lingerie, salto e camisa, fumando um cigarro e pensando na vida. Isso já aconteceu? Não. Existe alguma chance de acontecer? Difícil. A música fala sobre isso? Também não. Você fuma, Ana? Nãaaaao! Então porquê???? Me diz? Freud explica? Alguém me explica? É muito bizarro, mas todas as vezes eu penso a mesmíssima coisa.

Mas o contrário também acontece! Lembro da primeira vez que ouvi “Ride ‘em On Down” do Rolling Stones. Imediatamente abri um sorriso no rosto, pirei no som e me imaginei pegando uma estrada daquelas de filme nos Estados Unidos, dirigindo um Mustang conversível no melhor estilo Thelma e Louise****. E eis que um dia vejo o vídeo da música e lá está Kristen Stewart fazendo tudo o que eu queria fazer na vida: dirigindo um Mustang, mandando geral pra “aquele lugar” e fazendo uma performance de dança (genial) no posto de gasolina. Foi amor à primeira ouvida e à primeira assistida. Foi melhor que na minha imaginação.

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E tem as coisas óbvias como ouvir Jack Johnson e se imaginar num luau na praia, ouvir Despacito e se imaginar dançando salsa com dois latinos incríveis, ouvir Work da Rihanna e se imaginar rebolando no pau do Drake no lugar dela (eu tentei não falar nenhuma besteira nesse post leve, mas desculpem, é mais forte do que eu).

O que importa é que a música te transporta e o Spotify te dá mais asas que o Redbull.

E eu vou viajando o mundo e os estilos democraticamente. Minhas playlists são um “siri com toddy”, a própria “mistura do Brasil com o Egito” como diria Cumpadre Washington (tchan-an, tchan-an!).

Eu jamais poderia ser DJ…   Na minha playlist tem Elvis, seguido de música francesa, depois Justin Timberlake, e então Anitta, e daí vem o Gil, com bossa nova, e tem sempre Cazuza (pra cantarrrr com sutaque maisss carioca do planeta), Stevie Wonder, Miles Davis, Chiclete com Banana e Aerosmith… Sacou? Samba do crioulo doido define. E bota doido nisso!

Nada faz sentido.

Mas quem disse que precisa fazer? E assim cada dia eu estou num lugar, vivendo uma vida e uma música diferente tudo dentro da minha cabeça. Chego a chorar em música de fossa, mesmo sem ter um pinguinho de tristeza ou dor-de-cotovelo dentro de mim. A música embala o drama, é fantástico.

E agora com licença que eu vou parar por aqui, nesse post musical que não diz nada com nada, porque eu vou é dormir ouvindo Adele e preparar a trilha de amanhã (que é feriado, dia de acordar e dançar Uptown Funk como se eu fosse o Bruno Mars).

“Bye, bye, baby… bye bye…” (minha despedida e meu alô para o Evandro Mesquita).


* trecho de “Tá combinado”, uma música completamente foda do Caetano

** trecho de “Esse cara”, uma música meio fora de moda, porque a mulher é muito apaixonada e meio submissa… meio anos 80 mesmo…

*** Ei baby, vamos dar uma voltinha no lado selvagem…

****Thelma e Louise, personagens eternas do filme homônimo e que viajavam o país assim…

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e quando o Brad Pitt era assim.. (ai ai)

E mais de Caetano em momentos eternizados pelo buzzfeed:

https://www.buzzfeed.com/rafaelcapanema/caetano-veloso?utm_term=.yn0DkrELp#.vyzgWaDbL

 

 

 

 

 

 

 

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Escrito por

Oi! Sou Ana Ferrari.  Produtora de eventos, de filha bonita, de situações ridículas e de trapalhadas aleatórias. Especialista em perder coisas, fazer besteira, viver a vida e dar risada de si mesma.  PHD em crises existenciais que chegam antes dos 40 anos. Paulistana convicta com coração carioca. Leonina até dizer chega. Nem de direita, nem de esquerda. Interessada em igreja, centro, templo e terreiro. Experiente no luxo, no lixo e na luxúria, com vivência no erudito e no popular. Praticante de artes marciais, degustações de café, vinho e seriados. Aprendiz de escritora, de viajante e de violonista. E agora, de blogueira. ​ Pode isso, produção???

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