Dia dos Namorados – parte 1

Não sou comerciante, mas adoro datas comemorativas. Todas! Dia dos Namorados, Páscoa, Dia das Mães, dos Pais, das Crianças, da Vó, do Vô, do Abraço, do Beijo, do Amigo, Natal, Ano Novo, Carnaval, Halloween, Dia da Árvore, do Índio, Aniversário da cidade, Independência do Brasil…. brother, qualquer coisa. Eu simplesmente curto. Pelo simples fato de que comemorar é necessário, alimenta a alma e celebra a vida!

“Ah, isso é papinho. Conversinha motivacional”, alguns falam…

Então eu digo para esses alguns: Fodam-se vocês, seus merrrdassss! (Falem essa frase em voz alta e sintam o prazer explodindo no seu corpo. Falem essa frase em voz alta e abrindo uma garrafa de champagne que um sorriso largo vai emergir imediatamente na sua boca. Apenas tente e depois me diga).

Voltando… acho que datas comemorativas servem pra gente homenagear quem a gente ama. E isso não é babaquice, isso é muito legal. Ok se fica trânsito, se fica fila, se é clichê, se foi inventada para alguém ganhar dinheiro. Fooooda-se! (libertador, como sempre!). Não gosta disso, não brinca.

Eu não só gosto, como faço questão. De dar e de receber: presente, carinho, bilhete, flores, chocolate, chupada… a porra toda! – não, eu não tenho o marido mais romântico do mundo, não vou fazer propaganda enganosa. Ele nunca me deu o pacote completo. Sempre faltaram as flores e o chocolate e, às vezes, o bilhete.

A verdade é que, o que eu queria mesmo, era ser surpreendida. Adoooooro surpresa! Mas a expectativa da surpresa pode gerar uma frustração, porque nem sempre quase nunca ela acontece. Às vezes não é que pessoa não queira preparar alguma coisa diferente, é que 99,9% das vezes, simplesmente, ela não tem a mesma imaginação que você (a minha realmente é difícil chegar perto, eu sei), então acho digno dar uma forcinha.

E como eu estou amando escrever, e estou me achando “a” escritora/redatora/roteirista, eu vou escrever aqui roteiros do que seria para mim um dia surpreendentemente especial. Veja bem, que se eu digo que PARA MIM seria especial, isso quer dizer que esse post tem endereço, né? Espero que esteja bem claro!

Mas relaxa que eu vou ser o mais realista possível porque o meu namorado (e o de todas as outras pessoas) não é o Christian Grey*… ele não pode chegar no dia 12, vir me buscar de Ferrari, me levar de jatinho até Paris e fazer um piquenique no Jardim de Luxemburgo. E então me levar para o quarto vermelho quarto da princesa no castelo e ter uma sessão de tapas&beijo&foda puro amor. E depois passear de mãos dadas na Champs Elyseés, me dar de presente um par de sapatos do Christian Loubotin** enquanto tomamos uma Dom Perignón*** olhando a Torre Eiffel iluminada ao fundo…

Pensando nesse roteiro eu desejei por um dia segundo namorar o Mr. Grey. Mas já passou… Será?

Enfim, serão roteiros possíveis, financeiramente, geograficamente e climaticamente falando. Portanto não tem desculpa.


Dia 12 de junho de 2017. Segunda-feira, um dos únicos dias úteis de uma semana de feriado, quase véspera de evento (o que significa trabalho nível hard). São Paulo – mínima de 14 e máxima de 22 graus, sem chuva (segundo o Weather Channel).

Roteiro 1 – nível de expectativa: MÁXIMO, mesmo sabendo que é um sonho impossível.

00:00h – No momento em que estou no banho, o marido entra no chuveiro, me coloca contra o box e diz no meu ouvido: “seu Dia dos Namorados começa agora”. E começa.

00:30h – A gente deita na cama quentinha e fica conversando até pegar naquele sono delícia pós-foda.

07:00h – Ele me acorda devagar, cheio de amor, e diz que armou um day off**** com meu chefe e que hoje vai me raptar. É muito bem recompensado por isso – dou pra ele aquilo que a gente costuma regular um pouquinho…

08:30h – Pegamos a estrada rumo a uma pousadinha charmosa no interior.

10:00h – Tomamos aquele café da manhã que vale por 3 refeições. Andamos a cavalo, fazemos uma trilha e nos jogamos na grama, curtindo não fazer nada num lugar que o telefone só serve para tirar foto.

15:00h – Almoço do interior com sobremesa do interior. Cachaça no final. Na sequência aquela dormida mágica.

18:00h – Massageeeem com um “happy end” mútuo….

21:00h – De volta à nossa casinha e a noite continua… com queijo, vinho, risada, trepada…

00h – A gente coloca o pijama quentinho e dorme de conchinha (somente por 15 minutos)

Fim.

Roteiro 2 – nível de expectativa: ALTO, mas com alguma consciência.

00:00h – Eu saio do banho e encontro o marido pelado e “preparado” na cama e ele diz com uma cara bem sacana: “seu Dia dos Namorados começa agora”. E começa.

00:30h – A gente deita na cama quentinha e fica conversando até pegar naquele sono delícia pós-foda.

07:00h – Ele me acorda com café da manhã na cama e é recompensado por isso – um longo blow job***** logo de manhã.

10:00h – Recebo flores no trabalho com mensagem romântica e choro de emoção.

12:00h – Ele aparece de surpresa e me leva pra almoçar num restaurante delícia.

15:00h – Recebo um nude pelo whats app, dizendo que essa noite vai ser melhor que a de ontem e que é para eu me preparar.

18:00h – Consigo sair no horário e quando chego em casa tem um presente lindo embrulhado num laço em cima da cama.

21:00h – Ele me leva pra jantar e ouvir jazz. Um puta clima sexy no ar. Entornamos uma garrafa de vinho.

23:00 – Chegamos em casa no maior fogo em todos os sentidos. Wild sex. Yeaaaah!

00:00h – A gente coloca o pijama quentinho e dorme com a perna entrelaçada.

Fim.

Roteiro 3 – nível da expectativa: MÉDIO, mas ainda com uma boa dose de otimismo.

00:00h – Eu já estou na cama deitada lendo um livro, de banho tomado, e ele chega por trás dando aquela encaixada e diz: “seu Dia dos Namorados começa agora”. E começa.

00:30h – Eu já capotei um segundo depois de gozar.

08:00h – Ele me acorda porque vê que eu estou atrasada para o trabalho e é recompensado por isso – ganha um beijo na boca e uma apertadinha no pau, e eu saio correndo.

12:00h – Eu ligo desejando Feliz dia dos Namorados e ele diz que me ama.

15:00h – Recebo uma mensagem no whats app, dizendo que essa noite ele faz o jantar, mas que eu sou a sobremesa (é clichê mas sempre funciona porque o fato dele cozinhar já é excitante demais).

19:30h – Ele me liga e pergunta: “Porra, Ana, você vai demorar?”.

19:35h – Ele me liga e pergunta: “Como faz para descongelar uma carne no micro-ondas?”.

19:40h – Ele me liga e pergunta: “Como tempera molho de tomate mesmo?”

19:50h – Ele me liga e pergunta: “Porra, e aí? Vai demorar ainda?”

21:30h –  Chego em casa e tem um jantar delicioso me esperando na mesa. Um presentinho fofo em cima do prato. Ele está na cozinha com uma garrafa de vinho na mão vestindo somente um avental. E meias, porque senão ataca a rinite.

22:30h – Depois do jantar e da bebedeira, enquanto ele lava a louça (porque eu nâo lavo nunca!), eu vou ali dar uma “bulinadinha” atrás da pia e tirar o avental. Não a meia. Da cozinha vamos pra cama que é lugar quente. Trepada caprichada.

23:30h – E a gente coloca o pijama quentinho, eu durmo na cama em dois minutos e ele vai pra sala ver um filme sozinho.

Fim.

Roteiro 4 – nível de expectativa: BAIXO, conformada com a realidade do dia, falando para si mesma: “tá tudo certo, a gente compensa quando puder…”

00:00h – já estou dormindo com a maquiagem borrada e um livro em cima do travesseiro.

08:30h – acordo mega atrasada e atrapalhada, deixo cair meu sapato que faz um puta barulho. Ele acorda e me diz: “Porra, Ana!!!” É recompensado pelo transtorno com um beijo na testa e um “foi mal, amor”.

12:30h – entre uma reunião e outra, consigo mandar um áudio dizendo “Feliz Dia dos Namorados, te amo”. Nesse momento ele lembra da data e manda outro: “Pra você também. Eu tb” (super romântico #sqn). E daí ele corre pro shopping pra ver o que ele consegue comprar, e eu vou pra rua perto do trabalho fazer a mesma coisa na volta do almoço.

21:30h – Eu chego de uber do trabalho, ele me dá um beijo. Minha filha também. Trocamos presentes. E eu fico feliz de qualquer jeito.

22:00h – A gente pede uma pizza porque não dá tempo de mais nada mas tomamos lindamente uma garrafa de vinho.

23h – Dividimos um pote de Nutella de sobremesa, deita para ver um filme juntinho no sofá, transa gostoso só tirando a calça e fica embaixo do cobertor enquanto a filha está vendo Ipad no quarto.

23:30h – Ele termina tranquilamente de ver o filme enquanto eu já estou dormindo desde as primeiras cenas, morta de cansada babando no peito dele.

Fim.


Portanto esse post, meu amigo, minha amiga, é um “post-inspiração”. Para inspirar meu marido e quem sabe te inspirar a fazer algo diferente. Ou igual (dependendo do ponto de vista). Mas se não for possível, veja que se rolar vinho e sexo, não tem como errar. Tudo fica lindo no final.

Feliz Dia dos Namorados!!!

cama

*Christian Grey: o milionário dos sonhos do livro/filme “50 tons de cinza” que além de dar mil presentes para sua namorada e ser absurdamente gato, tem um quarto vermelho só com acessórios safadhenhosss.

** Christian Louboutin: faz os sapatos mais lindos e caros do planeta. Aqueles famosos com a sola vermelha.

***Dom Perignón: uma champa que custa R$1.500,00 a garrafa. Uma mixaria.

****Day off: é algo que eu só conheço de nome. Brincadeira! É um dia de folga do trabalho muito merecido.

*****Blow Job: boquete.

 

 

Escrito por

Oi! Sou Ana Ferrari.  Produtora de eventos, de filha bonita, de situações ridículas e de trapalhadas aleatórias. Especialista em perder coisas, fazer besteira, viver a vida e dar risada de si mesma.  PHD em crises existenciais que chegam antes dos 40 anos. Paulistana convicta com coração carioca. Leonina até dizer chega. Nem de direita, nem de esquerda. Interessada em igreja, centro, templo e terreiro. Experiente no luxo, no lixo e na luxúria, com vivência no erudito e no popular. Praticante de artes marciais, degustações de café, vinho e seriados. Aprendiz de escritora, de viajante e de violonista. E agora, de blogueira. ​ Pode isso, produção???

2 comentários em “Dia dos Namorados – parte 1

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