De peito aberto, quer dizer, solto.

Hoje voltei à minha rotina e lá fui eu acordar às 05:20h da manhã. Claro que apertei o botão ADIAR e não levantei.

05:25h – novamente apertei o mesmo botão.

05:30h – apenas repeti o movimento por inércia

05:35h – apertei o DESLIGAR, mudei de posição na cama.

05:40h – apertei o DESLIGAR e aos poucos levantei. Fui até o sofá. Deitei nele.

06:20h – acordei no susto, olhei no relógio, pensei durante um minuto inteiro em umas 10 desculpas possíveis para eu dar para o meu personal trainer. Saí correndo, joguei as coisas na mochila, mandei um Whey Protein guela abaixo, roubei o cartão de crédito do marido pra pedir um uber (falência, meu status momentâneo) e #partiuacadimiaputaquepariu.

Levei a bronquinha básica pela ausência da semana, carreguei um peso digno de Graciane Barbosa* (pelo menos era assim que eu me sentia), agachei como se não houvesse amanhã (para o alto e avante, glúteos!), fiz todas aquelas caretas ridículas de academia e quase vomitei no final.

Passados quase 15 minutos em que eu estava sentada recuperando a vida que havia quase se esvaído… Hora do banho!

Peguei o chinelo: era o da minha filha, tamanho 33. Na pressa, confundi. Ok, vai assim mesmo.

Banhinho renovador, enrolada na toalha (aquela que não enxuga porra nenhuma mas que não ocupa espaço na mala), maquiagem feita, cabelo seco estilo capa da Cosmopolitan (arrepiando no volume na raiz) e momento de vestir o look do dia:

Sapato alto, estilo traveco – check!

Saia longa com estampa de chinelas – check!

Blusa ombro a ombro com estampa de chinelas (porque conjunto tá super “in”) – check!

Jaqueta jeans – check!

Brinco, pulseiras e colar – check!

Sutiã – ????????

Calcinha – ????????????

Nãaaaaaaaaaaaaaaaao!

Olhei para o top suado e a calcinha molhada no bolo de roupa sujas – Não! Não vou vestir isso.

E foi então que eu vesti meu outfit “quase” completo, me enchi de coragem e saí na Rua João Cachoeira de peito aberto e tomando vento em lugares que (naquele momento) não estavam tão acalorados assim. Agradeci muito a Deus por estar de saia longa e jaqueta.

Imagine se estivesse de calça jeans? Seria uma versão incomoda da música “Rala a tcheca”.

Imagine se estivesse de legging? Mostraria ao mundo um belo capô de fusca original.

Imagine se não estivesse de jaqueta? Estaria mostrando ao mundo que não é só índia que pode ter o peito mais próximo do umbigo do que do queixo…

Enfim, andar nas ruas livre dessas amarras do mundo moderno me deu uma sensação de liberdade e desespero. Eu me sentia sexy e ridícula. Cada homem que olhava pra mim eu tinha certeza – Oh my God, ele percebeu! Socorro! Eu me sentia como naquela série “As Cariocas”**, mas na versão paulistana… eu seria “A Soltinha do Itaim Bibi”.

E antes de parar numa loja e gastar com lingerie (mais um gasto não planejado piorando o meu estado de falência), parei tranquilamente num café e aproveitei meus 15 minutos de relaxamento total.

Saindo da loja o temporal despencou e, claro, eu já tinha esquecido também o guarda-chuva, porque comigo as coisas são assim… E virei um pinto molhado. Mas pensei positivamente que, se eu tivesse tomado esse banho de chuva antes de comprar o sutiã e a calcinha, o estrago seria maior, e eu viraria a gata molhada do Gugu***, isso sim. Afinal de contas sempre dá pra piorar, não é mesmo?

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Conclusão do dia:

Fiquei com inveja das mulheres de silicone ou peito pequeno porque andar com tudo solto é bom, e sutiã com sustentação é caro bagarai.

*Gracyanne Barbosa (sim, é assim que se escreve): musa do cantor Belo, rainha do Carnaval, corpo do Arnold Schwarzenegger (sim, é assim que se escreve).

gracyanne-barbosa2

**”As Cariocas”: série fantástica criada por Daniel Filho que mostrava as mulheres bem safadhenhas dos bairros do Rio. Uma ode ao empoderamento feminino.

as cariocas

***Gata molhada do Gugu: eram as mulheres que participavam do Chuveiro do Gugu. Tudo que acontece no Spring Break – camiseta branca sem sutiã com muita água, mas na versão tupiniquim dos anos 90, em pleno domingo a tarde na TV. Glamouroso como o SBT sempre foi. #sqn

 

Escrito por

Oi! Sou Ana Ferrari.  Produtora de eventos, de filha bonita, de situações ridículas e de trapalhadas aleatórias. Especialista em perder coisas, fazer besteira, viver a vida e dar risada de si mesma.  PHD em crises existenciais que chegam antes dos 40 anos. Paulistana convicta com coração carioca. Leonina até dizer chega. Nem de direita, nem de esquerda. Interessada em igreja, centro, templo e terreiro. Experiente no luxo, no lixo e na luxúria, com vivência no erudito e no popular. Praticante de artes marciais, degustações de café, vinho e seriados. Aprendiz de escritora, de viajante e de violonista. E agora, de blogueira. ​ Pode isso, produção???

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