Vamos acordar esse prédio!

Eu falei aqui sobre gritos e mais gritos na hora do “amô”. Eu sinceramente acho que isso é cultura de filme pornô, acho meio forçado… 

Eu sei que não é legal julgar o jeito que cada um transa. Aliás, não é legal julgar absolutamente nada! Mas acontece que gritos histéricos acho um pouco demais. A não ser, claro, que você esteja numa ilha deserta ou morando numa cabana no mato… aí minha, querida, solte sua voz, sua fera, uive, faça o que bem entender…

Gente, não estou falando que legal é trepar em silêncio. Estou falando de gemer naturalmente, nos momentos certos e tudo bem gostosinho… suave aos ouvidos alheios, entende? 

Bom, e aí vai um caso VERÌDICO para ilustrar quem não dá a mínima para a “lei do silêncio”…. 

Eu morava no terceiro andar de um prédio já fazia alguns anos e não tinha contato com nenhum vizinho, nada que fosse além de um “bom dia, boa tarde ou boa noite” (coisa de paulista, eu sei… péssimo, eu sei…). E um dia estava na cama com meu marido prontos para dormir, era umas 2h da manhã, e começamos ouvir barulho de cama batendo bem acima da nossa cabeça e logo depois começou…

“Aaah aah ahh ah aah aah aah…”

A gente riu horrores e ficamos prestando muita atenção, porque não dava pra dormir enquanto não acabasse a nossa diversão e a deles, claro!

Depois de muuuito “aaah aah aah” (já vimos que ejaculação precoce não era um problema ali), finalmente ouvimos um “whoaaaaaaaaaaaaaaaaar” masculino! Foi quase um grito de guerra, pqp!!! Rimos de novo. Dormimos. 

Cerca de 40 minutos depois, começou tudo de novo. Pensamos: “Uau!!!!  Mais uma dose de “aah aah aah” seguido de outro “whoaaaaaar”.  

E madrugada a dentro, nem sei dizer qual o horário, fomos acordados com mais, muito mais. A gente só acordou, olhou um pro outro e falou: “Porraaaaaa”!

Ok, seria tudo hilário se fosse apenas aquela noite, ou mais umas três ou quatro… Mas não foi. Os vizinhos continuaram com os gritos histéricos e o pior: numa frequência invejável. Poxa, eu já comecei a ficar intimidada e fazer comparações (mesmo a minha vida sexual indo muito bem, obrigada)…. Porra, porque eu já não tenho mais esse pique? Porra, será que essa mulher não trabalha, não??? 

Lembro que no dia dos namorados, eu e meu marido resolvemos competir em plena luz do dia:  “Agora eles vão ver!!! Vou aumentar o volume e arrebentar a cabeceira da cama” – pensamos. Foi ótimo, mas acho que eles nem se ligaram que tinham concorrentes, estavam lá, no topo da liderança…

E a curiosidade de tentar personificar essas duas pessoas que já eram tão íntimas, mas que a gente não sabia como era o rosto, ficava cada vez maior. Cada casal novo que a gente encontrava, ficávamos pensando: “Será que são eles?”. 

Até que um dia a gente viu um casal entrando no mesmo prédio que o nosso, no mesmo elevador que o nosso. Entramos logo atrás. Esperamos eles apertarem o botão para ver se iam para o quarto andar… BINGO! Apertamos qualquer andar só para ver se eles entrariam no apartamento que fica bem em cima do nosso. Foram segundos de muita expectativa dentro do elevador até que eles saíram e… BINGO DE NOVO!!! Sim, agora aquele “Aah aah aah” e aquele “Whoaaaar” tinham cara, tinham corpo. A menina era baixinha, morena, magrinha, bonitinha. Ele era alto, usava óculos, super magro e desajeitado, nada a ver com aquele gozo homérico! Eun imaginava um Golias, e era um Davi. Aaaah a expectativa…  sempre ela deixando a gente frustrada nessa vida!

sexopredio

Meses se passaram desde o primeiro grito e o que era muito engraçado estava se tornando “sacal”. Atrapalhava nosso filminho, nosso sono…. Até que um dia, novamente às 02h da manhã, eles começaram. OMG! Bota o fone de ouvido que lá vem madeirada! Só que dessa vez o volume estava tão alto, e o prédio tão em silêncio que eu fui olhar na varanda para ver se alguém mais estava escutando. Qual não é a minha surpresa quando vi pelo menos umas dez pessoas, também na varanda, procurando saber de qual apartamento vinha esse sexo que não conhecia limites de decibéis.  E as pessoas olhavam para o meu apartamento!!! Eu não sabia se me apropriava daquilo ou se sentia vergonha. O fato é que eu mesma estava cansada de tanto gemido e resolvi tomar uma atitude. Escrevi um bilhete que dizia mais ou menos assim:

“Olá vizinhos, meu nome é Ana Ferrari, eu moro no apartamento 33, abaixo do de vocês. Estou bastante constrangida em escrever esse bilhete, mas achei realmente que era necessário. Já faz algum tempo que eu, mesmo sem querer, acabo ouvindo a intimidade de vocês. Isso nunca foi efetivamente um problema, e não quero julgar ou atrapalhar a vida de vocês, mas sinceramente o volume está muito alto e acaba atrapalhando de vez em quando e chamando a atenção dos vizinhos. Eu entendo completamente a situação, pois eu e meu marido também somos jovens e temos uma vida sexual super ativa (Juro que eu mandei essa! E eu mesmo me achava o máximo nesse quesito até conhecer esse casal), mas enfim, é preciso lembrar que estamos num prédio. Desculpe mais uma vez pedir esse tipo de coisa, mas seria possível vocês diminuírem um pouquinho esse volume? Abraços, Ana”. 

E lá fui eu de pijama, até o quarto andar, colocar o meu bilhetinho simpático debaixo da porta.

Às 7h da manhã, eu indo trabalhar e os gritos começaram de novo, e eu só pensei: “TÁ DE SACANAGEM??? Isso é retaliação!!!”. Mas, quando voltei do trabalho (a-há!) tinha um bilhetinho para mim que dizia mais ou menos assim:

“Olá Ana, peço mil desculpas pelo ocorrido. Sempre fomos muito discretos (ahãaan… sei…), mas realmente não percebemos que estávamos exagerando. Prometemos ser mais comedidos. Obrigado pela discrição. Alexandre.”

Alexandre, O Grande! Eu suponho… (essa expectativa ninguém me tira!).

E nunca mais foi ouvido um pio do apartamento 43.

 

P.S: E agora, para animar esse post, um hit muito adequado: “Vamos acordar esse prédio, fazer inveja pro povo, enquanto eles estão indo trabalhar, a gente faz amor gostoso de novo…”

Escrito por

Oi! Sou Ana Ferrari.  Produtora de eventos, de filha bonita, de situações ridículas e de trapalhadas aleatórias. Especialista em perder coisas, fazer besteira, viver a vida e dar risada de si mesma.  PHD em crises existenciais que chegam antes dos 40 anos. Paulistana convicta com coração carioca. Leonina até dizer chega. Nem de direita, nem de esquerda. Interessada em igreja, centro, templo e terreiro. Experiente no luxo, no lixo e na luxúria, com vivência no erudito e no popular. Praticante de artes marciais, degustações de café, vinho e seriados. Aprendiz de escritora, de viajante e de violonista. E agora, de blogueira. ​ Pode isso, produção???

8 comentários em “Vamos acordar esse prédio!

  1. Ana!hahahahaha adorei a história!
    As suas histórias são as melhores!Parabéns! Não para não, que tá bem legal isso aqui! Beijão
    👏👏👏👏😂😂😂😂😂

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  2. Eu me lembro muito bem dessa estória…rimos muito quando você falou sobre a carta que deixou debaixo da porta rsrsrsrrsrrss.
    Você é ótima vou tentar seguir todas as suas estorias por aqui.
    Bjos,
    Mariana Parente

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