Pornô sim, por que não?

Warning: Textão e com palavras sujas. Afinal o assunto é sexo e não dá pra ser muito “limpinho” nesse tema, né?

Fui no Festival Path duas semanas atrás. Para quem não conhece, esse evento é um festival de inovação, com uma overdose de conteúdo, palestras bacanas, feira de start ups e muita gente. Gente da área de comunicação e publicidade, jornalistas, maluquetes, fãs de internet, músicos, gente super cool, influencers e mais um pouco de tudo. Todos ávidos por novidades e por informações novas, que minimamente te façam voltar pra casa pensando em tudo aquilo.

Agora vamos ao assunto desta pauta. Existia uma palestra que era a última do sábado que se chamava Mulher e o Pornô – será que dá match?. Tinha alguma coisa a ver com a minha área? Não. Tinha alguma coisa a ver com a minha vida? Certamente. Com a minha e de toda mulher. A má notícia é que eu não consegui ir à palestra porque o dever de mãe me chamava. Mas senti que o meu dever de mulher era ter assistido aquilo porque o início do release já dizia:

“Uma pesquisa realizada pela GNT mostrou que a maioria das mulheres assiste pornografia, mas não gosta do que vê – e eu pensei: é verdade!

“Elas não se sentem representadas no casting – será?!

“… e acham que o prazer feminino é desconsiderado – concordo muitoooo!

Essas três frases ficaram martelando na minha cabeça e eu fiquei pensando sobre o assunto…

Vamos falar de cara da primeira parte: “a maioria assiste, mas não gosta do que vê”.

Aprofundando a pesquisa eu descobri nada mais, nada menos, que: 1 em 4 pessoas nos sites de pornografias são mulheres e as brasileiras simplesmente são as que mais consomem pornografia no mundo. (Fonte: Pornhub).

Genteeeeee! Acordaaa! 25%! Que poderia facilmente ser transformado em 50% se o conteúdo nos atraísse de verdade.

Veja bem, não é que a gente não gosta de nada do que vê… mas poderia ser tãaaao melhor, né, não? A gente (na verdade, estou falando por mim, é claro) assiste pornô nas madrugadas de insônia pra dar uma relaxada e vir aquele sono gostoso; nos sábados que estamos sozinhas em casa de bobeira; quando alguma coisa no dia te desperta a vontade… ou quando está grávida (aí, pelo menos comigo, era todo dia, várias vezes e nem precisava de motivo… os hormônios fizeram uma rave de 9 meses no meu corpo – loucura, loucura, loucura como diria o Huck!). Ou seja, a gente não vê porque é bom de verdade, sacou?

E ainda quando eu vejo, vou passando só para as partes que me interessam…

Boquete sem fim – passo.

Chupadinha – fico. (Esta parte nos filmes costuma ser bem rápida… e nem sempre tem.)

Gritos sem fim – tecla MUDO

Trepadas boas – fico.

Cuspes – passo muitoooo!

450 posições – zzzzzzzzz

E para ser bem sincera, já terminei o que tinha que ser terminado rapidinho e não preciso nem chegar na parte daquela jorrada na cara que sempre rola no final. Tão clichê, tão previsível.

E tem o lance das histórias pré-foda, que geralmente são as mais improváveis, ridículas e machistas possíveis:

A mocinha precisa de carona. Para um carro com um homem. Ela agradece o favor com um boquete.

A pia vaza e a ninfeta chama o encanador, afinal toda mulher precisa de um homem. Pagamento pelo serviço: uma trepada.

A secretária erra a tarefa que o patrão pediu: ela é repreendida ganhando umas palmadinhas e outras “cositas mas”…

E o nosso imaginário aprendeu a achar isso bacana… fazer o que? Crescemos assim…

2013-03-30

Falemos então da segunda parte: “as mulheres não se reconhecem no casting”.

Eu vou dizer que eu não concordo tanto com essa parte. Acho que hoje tem de todos os tipos nos filmes. Você abre o Porntube e parece um cardápio: loiras, morenas, negras, asiáticas, com bunda gigante, com peitos imensos, ninfetas, gordas, lésbicas, MILF, deve ter até anã. E se quiser mulher com celulite para ficar tudo muito mais real é só clicar na categoria AMADOR que você encontra tudo lá. Sem preconceito.

Mas vamos combinar que às vezes a gente nem quer se reconhecer tanto na nossa fantasia, não é mesmo? Na imaginação, às vezes você quer ser outra pessoa, ou ver outra pessoa… Eu, por exemplo, posso me considerar uma MILF* pela idade… (me arrependendo de escrever isso em 3,2,1) mas não curto ver, não me atrai a estética. Sinceridade pura.

E imagina se os homens de pau pequeno também quisessem se reconhecer no casting? Uma tristeza só! Seria mais justo talvez, porque a gente sabe que tem muitos por aí que não foram assim tão abençoados… O mundo é cruel, mas, people, a vida é assim. Really.

A parte que eu concordo de não se reconhecer é a seguinte: 99% das atrizes pornô gritam até não poder mais. E eu me pergunto: Para quê? Por quê? Apenas pare. Respire. Apenas diminua o volume. Haja como vivesse na Cohab com 50 vizinhos por andar. Gema. Gostoso. Mas não berre, por favor.

Terceira e última frase: o prazer feminino é desconsiderado”.

Lembra do boquete sem fim? Demora tempo demais…

Lembra da jorrada final? É disso que eu estou falando… sempre termina assim. Porque parece que no final é só isso que importa. É um tanto egoísta.

E sabe o que deve acontecer? Deve ter um monte de cara que cresce assistindo isso e entende a mensagem que realmente é só o prazer dele que importa. E torna-se então um babaca no sexo. Tem alguém que não tenha cruzado com um desse no caminho? Hein? Hein?

O mundo pornô tem que mudar, miagenteeee! Se o mundo precisa mudar, e o sexo move o mundo, e o pornô move o sexo, logo o pornô é uma super ferramenta de mudança.

E sabe o que é mais legal: muita gente já está provocando essa mudança e vale a pena ver! Minos e minas, dêem um Google aí nesses nomes e divirtam-se: Erika Lust, Vex Ashley, Petra Joy e Anna Span.

Obrigada por ler até o final. Foi um “prazer”.

*MILF : Expressão americana que quer dizer “Mother I´d like to fuck”. Ou seja: mãe que eu gostaria de piiiiii… Ou seja: coroas gostosas.

 

Escrito por

Oi! Sou Ana Ferrari.  Produtora de eventos, de filha bonita, de situações ridículas e de trapalhadas aleatórias. Especialista em perder coisas, fazer besteira, viver a vida e dar risada de si mesma.  PHD em crises existenciais que chegam antes dos 40 anos. Paulistana convicta com coração carioca. Leonina até dizer chega. Nem de direita, nem de esquerda. Interessada em igreja, centro, templo e terreiro. Experiente no luxo, no lixo e na luxúria, com vivência no erudito e no popular. Praticante de artes marciais, degustações de café, vinho e seriados. Aprendiz de escritora, de viajante e de violonista. E agora, de blogueira. ​ Pode isso, produção???

4 comentários em “Pornô sim, por que não?

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s